A Avicultura brasileira é a responsável por mais da metade do volume produzido em 2008, 33 milhões de toneladas, sendo 28 milhões apenas para os frangos de corte. Estes valores representam um aumento de 10,4%, sustentado pelo forte consumo de aves, tanto no Brasil como no mundo. O acréscimo na Suinocultura chegou a quase 8%, cravando 15,3 milhões de toneladas, provocado pelo bom volume de exportações e o crescimento no consumo interno deste tipo de carne. A elevação no setor de bovinos está estimada em 13,3%, ou 7,3 milhões de toneladas, somando a área de carnes e o gado leiteiro.
Em 2008, os produtores brasileiros de alimentação animal enfrentaram os mesmos desafios das empresas em todo o mundo, desenvolvendo "medidas alternativas" para administrar a escassez alimentar e a subida dos custos das matérias-primas, assim como uma queda na oferta de importantes fornecedores chineses, que foram forçados a cortar ou fechar as fábricas durante os Jogos Olímpicos. E o preço do milho e fosfato foi uma oportunidade para aperfeiçoar novas fórmulas baseadas em aminoácidos sintéticos orgânicos, minerais, enzimas e outros aditivos tecnológicos.
Ariovaldo Zanni destacou que o grande alívio proporcionado pelos preços estáveis do milho e farelo de soja no Brasil e a desvalorização do Real foi compensado pela diminuição dos preços das carnes exportadas pelas empresas brasileiras. A preocupação agora, apesar das quedas nos preços de produtos importados como as commodities e o petróleo bruto, é que o custo dos aditivos para a alimentação animal, fertilizantes e agroquímicos manteve-se elevado.
Apesar dos ótimos números de 2008, a indústria do setor tem sido afetada pela falta de liquidez no mercado. “As empresas têm procurado os órgãos públicos de financiamento, como Banco do Brasil e BNDES, atrás de crédito. Se os pedidos forem aprovados, serão utilizados na importação de produtos agrícolas e aditivos nutricionais utilizados na alimentação animal”, adiantou. Isto é importante já que a turbulência financeira pode agravar o financiamento das próximas safras e prejudicar o fornecimento direto para a produção de carnes e para o setor de alimentação animal.
Ariovaldo Zanni aponta que ainda é muito cedo para se fazer previsões tendo em vista 2009 inteiro. Para ele, os problemas econômicos globais poderão provocar queda do consumo nos países em desenvolvimento, desaceleração do comércio internacional e um aumento do protecionismo. No entanto, os alimentos são considerados produtos essenciais e vai persistir uma grande demanda por proteína animal e alimentos para plantéis das criações industriais. “É claro que podemos falar em menos dinheiro para investimentos e descompasso dos elos da cadeia de produção. Mas crise de alimentos não. E pensando em termos de Brasil, os problemas na produção e exportação dos EUA, que já estão em recessão, podem beneficiar as empresas brasileiras, principalmente no setor da Avicultura”, apontou.
O executivo do Sindirações tenta visualizar dois cenários para o setor. Se a crise permanecer forte, não deverá haver aumento de produção. Se os mercados se acalmarem, o segundo trimestre de 2009 já pode trazer um certo alívio e a produção pode chegar a 65 milhões de toneladas, um incremento de 5%. “Precisamos de entendimento entre os integrantes da cadeia alimentar e o apoio das autoridades. No cenário mundial, podemos ter redução de oferta, mas o consumo de alimentos não vai cair. Com consumo, crédito e união, podemos impulsionar a economia em 2009”, finalizou.
fonte: Redação PorkWorld





