Artigos

Publicado em 06.12.08 às 17:12 hs

Produção mostra efeito do preço da ração

Análise anual da tendência mundial de produção de carne suína indica a primeira queda em vários anos

Ninguém ficará surpreso com uma seção completa dedicada a incertezas de uma importante análise internacional do mercado de carnes realizada este ano. Os preços sem precedentes dos grãos para rações levantaram dúvida sobre a continuação dos padrões históricos e complicaram todas as tentativas de previsão. Da perspectiva do setor de carne suína, já era óbvio que 2008 seria um ano de ajustes na produção para dar conta da redução dos estoques de animais.

De fato, os dados de 2007 hoje disponíveis mostram que alguns setores no mundo já estavam se ajustando à nova situação do preço dos grãos no ano passado. Os preços dos grãos no mercado mundial devem continuar mais altos no futuro, sugere o artigo “Agricultural Outlook” publicado conjuntamente pelos 30 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela FAO (Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas).

Para o período de 2008-2017, a predição é que o consumo mundial de carne continue a crescer 2% ao ano, em média, embora haja diferenças marcantes na taxa de crescimento entre as regiões. O consumo de carne nos países em desenvolvimento (especialmente naqueles da região da Ásia-Pacífico) será responsável por mais de 80% do crescimento mundial.

Incertezas nas previsões
Mas o relatório, disponível nos sites www.fao.org e www.oecd.org, reconhece algumas incertezas na tentativa de formular previsões. Comenta-se que o Outlook deste ano foi preparado em um ambiente caracterizado por instabilidade nos mercados financeiros, maior inflação dos preços dos alimentos, sinais de enfraquecimento do crescimento econômico global e preocupação com a segurança alimentar.

Foram feitas cinco pressuposições-chave para chegar às conclusões, relacionadas ao uso de cereais e oleaginosas para biocombustível, preços do petróleo, aumento da renda em importantes economias em desenvolvimento, às safras e à taxa de câmbio do dólar americano em relação às moedas de todos os outros países.

Espera-se que os países em desenvolvimento dominem a produção de diversos itens agrícolas em 2017. O Brasil poderia dominar 30% das exportações mundiais totais de carne no final das projeções. Estaria junto com um pequeno número de grandes exportadores (como EUA, Canadá, Argentina e Austrália) como forças dominantes nos mercados mundiais. Em contraste, a previsão é que a fatia de exportações da União Européia caia durante o período projetado.

A dependência da importação de produtos cárnicos deve apresentar crescimento em vários países em desenvolvimento, na medida em que a demanda exceda a capacidade interna de produção de carne. Entre os países desenvolvidos, a Rússia provavelmente continuará na frente do Japão como maior importador líquido de carne em 2017. Em todo o mundo, segundo previsões, mudanças nos fatores por trás da oferta e demanda farão com que os preços das commodities durante o período de 2008-2017 sejam significativamente maiores do que nos últimos 10 anos. Segundo as previsões, os preços da carne bovina e suína aumentarão cerca de 20%, sendo que o preço do trigo e do milho poderá atingir um aumento de 40%-60%.

Desaceleração temporária
Voltando ao presente e ao passado recente, contudo, uma avaliação da FAO estima que a produção mundial de carne suína em 2008 aumentará em quase 2% após a queda de 3% em 2007, que se deveu, em grande parte, ao descarte de suínos na China após o surto de PRRS neste país. Este ano, prevê-se que a produção na China tenha uma expansão superior a 1%. Na América do Sul, antecipa-se um aumento na produção de carne suína em praticamente todos os países produtores pelo quarto ano consecutivo.

Argentina, Brasil e Chile, que possuem grandes suprimentos de ração, são os países que mais contribuem à expansão de 4% na produção projetada para a região. Na Rússia, acredita-se que a produção cresça mais de 6% em 2008, com o aumento na população de suínos. Mas no Canadá e na União Européia, onde a produção no ano passado atingiu um pico cíclico, espera-se que a produção caia em 2008. A produção no Vietnã também foi afetada pela PRSS e o descarte de animais infectados reduzirá o crescimento nacional da produção em 2008.

O que tudo isto significa para a tendência mundial na produção de carne suína pode ser visto no quadro na Figura 1. No ano passado, podíamos afirmar que a produção mundial de carne suína encontrava-se claramente numa tendência de crescimento. Havia aumento quase 15% no período de 1990-1995 e 12,5% em 1995-2000, antes de registrar um aumento superior a 19% entre 2000 e 2006. Inicialmente, parecia que o padrão continuaria em 2007, com previsões de mais um aumento de 3%, fazendo com que a produção mundial total se aproximasse das 110 milhões de toneladas.

No final, a realidade foi que a produção diminuiu, de forma que acabou sendo menor em 2007 do que em 2005 e 2006, à medida que os ajustes liderados pela ração começaram a ter um impacto. As tendências regionais são mostradas na Tabela 1. O primeiro ponto a ser observado é que ela nos apresenta um total mundial para o ano passado que é ainda menor do que o indicado em nosso quadro de abertura. Alguns relatórios da FAO sugerem que menos de 99 milhões de toneladas de carne suína foram produzidas em 2007. Isto significaria uma queda de 7,5% em relação ao nível de 2006. A cifra de aproximadamente 100,5 milhões de toneladas sugerida como provável para 2008 significaria um aumento anual de cerca de 1,8%. 

Tabela 1: Mudanças na produção e comércio regional (x 1000 toneladas)

 

Produção

Importações

Exportações

Ásia-Pacífico

62490

53193

53873

2342

2624

2797

632

466

479

Europa

25862

26430

26528

1269

1148

1147

1262

1453

1466

América do Norte

11434

11802

12463

615

666

658

2290

2139

2329

América Latina

6240

6563

6869

623

475

454

796

964

1008

África

844

857

873

111

124

128

9

8

9

MUNDO

106880

98844

100607

4960

5035

5184

5024

5030

5291

(Fonte: Baseado em relatórios da FAO)

A única região a registrar uma queda substancial no ano passado foi a zona da Ásia-Pacífico e isto deveu-se tanto aos problemas de sanidade suína quanto aos aumentos no preço da ração.

 

 

Como foram as diferenças entre regiões

A tabela deixa claro, contudo, que as mudanças na produção diferiram de uma região a outra. De fato, a única diminuição significativa entre 2006 e 2007 ocorreu na região da Ásia-Pacífico, resultado de uma combinação de doença, custos da ração e problema climáticos que açoitaram as indústrias asiáticas. A Europa registrou um ligeiro aumento e houve aumentos mais significativos na América do Norte, América Latina e África. O mesmo conjunto de dados também nos dá uma idéia dos efeitos dos padrões de comércio regional sobre a carne suína. Os países asiáticos importaram mais e exportaram consideravelmente menos. O oposto ocorreu com os países europeus. As exportações totais da América do Norte diminuíram porque embora os EUA estivessem batendo novos recordes em termos de volumes vendidos a outros países, isto foi mais do que contrabalançado pela perda de mercados vivenciada pelo Canadá devido à valorização do dólar canadense. Mesmo assim, a região da Ásia-Pacífico ainda pode alegar que fornece quase 54% de toda a carne suína produzida no mundo. Podemos comparar este percentual com os cerca de 27% para a Europa, 12% para a América do Norte, 6,5% para a América Latina e 1% para a África. No entanto, devemos sempre ter em mente que a aparente participação asiática é grandemente inflacionada pela inclusão da China. Em 2007, mais uma vez a República Popular da China respondeu por quase 44% da produção mundial de carne suína. Nossa lista anual dos Vinte Principais países em termos de quantidade de carne suína produzida por ano (Tabela 2) confirma uma visão de que a produção da China parece ter caído de cerca de 49 milhões de toneladas em 2006 para perto de 44 milhões de toneladas em 2007, embora uma recuperação para 44,7 milhões de toneladas já esteja sendo projetada para 2008.

 

Tabela 2: Tendência na produção suína anual (x 1000 toneladas) para os 20 países com maior volume de produção em 2007

 

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

1: China

41406

42982

44358

45186

47016

50106

48700

44200

2: EUA

8597

8691

8929

9056

9312

9392

9559

9962

3: Alemanha

3981

4074

4110

4239

4308

4501

4662

4985

4:Espanha

2912

2993

3070

3190

3076

3164

3230

3513

5:Brasil

2556

2730

2872

2560

2621

2710

2830

2990

6:Vietnã

1409

1515

1654

1795

2012

2201

2405

2620

7:França

2318

2315

2350

2333

2311

2274

2263

2281

8:Polônia

1892

1820

1981

2094

1923

1926

2071

2091

9:Rússia

1569

1498

1583

1706

1725

1735

1805

1910

10:Canadá

1640

1731

1854

1882

1936

1920

1898

1850

11:Dinamarca

1624

1714

1759

1762

1809

1793

1749

1802

12:Itália

1488

1510

1536

1589

1590

1515

1556

1603

13:Holanda

1623

1433

1377

1253

1287

1297

1265

1290

14:Japão

1256

1232

1246

1260

1272

1245

1247

1251

15:Filipinas

1008

1064

1332

1346

1376

1320

1371

1245

16:México

1030

1058

1070

1035

1150

1195

1108

1150

17:República da Coréia

916

928

1005

1149

1105

1050

1091

1133

18:Bélgica

1055

1072

1044

1029

1032

1013

1006

1063

19:Taiwan

921

962

935

893

898

911

928

927

20:Reino Unido

923

781

795

715

720

706

697

739

Somente três dos 20 maiores players produziram significativamente menos carne suína em 2007 em relação a 2006, apesar dos custos mais altos.


Como sempre, a ordem em que listamos os países corresponde a seu volume de produção no ano mais recente – neste caso, 2007. Houve poucas mudanças no nível intermediário e inferior da lista. Em comparação à tabela que publicamos há um ano, a Rússia subiu um lugar a frente do Canadá e a Holanda ultrapassou o Japão e as Filipinas.

fonte: Revista PorkWorld - Edição 46.



Notícias Relacionadas

Leia mais
Loading
Siga nos no Twitter

Newsletter

Receba as principais notícias em seu email

Nome:
E-mail: