Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos
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De acordo com a ABIPECS, em 2002:
· o rebanho suíno brasileiro excedeu a 37,5 milhões de cabeças, sendo quase três milhões de matrizes;
· o abate total chegou muito próximo a 38 milhões de cabeças, com desfrute do rebanho, portanto, acima de 100%;
· a produção resultante desses abates, somou quase dois milhões e novecentos mil toneladas de produtos, entre carnes in natura (30%) e embutidos (70%);
· 83,6% (2.417.000 t) desta produção foi consumida internamente e 16,4% (476.000 t) foi exportada.
O valor estimado desses produtos (faturamento bruto) a preços médios praticados no sul do País (SIPS/RS), chegou à significativa soma de R$ 14.652.944.000,00 ou a US$ 4.884.314.000,60 para uma cotação de R$ 3,00/US$.
A importância social da suinocultura é muito grande, especialmente se considerarmos que se localiza, em grande parte, nas pequenas propriedades (o que está mudando rapidamente) e envolve no país, somente na produção, 2,7 milhões de pessoas.
Indiretamente, o apelo social da suinocultura, como atividade geradora de ocupação de mão de obra, é imensurável. Poucos se dão conta que, para cada kg de suíno produzido a mais, é necessário aumentar a produção de milho em, pelo menos, mais 3 kg. A duplicação da produção de carne suína, portanto, demandaria o plantio de milho, também em área dobrada. Isto, sem falar em outros grãos, como a soja.
Este aumento na área cultivada aqueceria, proporcionalmente e em cadeia, a geração de empregos no plantio, manejo e colheita dos grãos, na indústria de fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e combustíveis, na armazenagem, no transporte, na indústria frigorífica, etc.
Fica difícil estimar o número de novos empregos e de riquezas que seriam gerados e, mais difícil ainda, o seu reflexo sobe a economia como um todo.
O potencial de expansão dos benefícios sociais e econômicos possíveis de serem gerados pela atividade é imensurável, portanto, mas somente poderá ser atingido se houver preocupação e interesse político para isso.
O esclarecimento da opinião pública, desmistificando alguns antigos tabus que ainda persistem e que comprometem o consumo desta carne nobre é indispensável, assim como, a correção das graves e injustas distorções que ocorrem na cadeia de comercialização, onerando demasiadamente o produto final, em nível de consumidor.
A carne suína é a carne mais consumida no mundo, com 42,2%, contra 30,8% para aves e 27% para bovinos, consideradas essas três, que são as principais. No Brasil, a situação é inversa, com apenas 15,5% para carne suína, 39,5 para aves e 45% para bovinos.
Apesar disso, 83,6% da produção nacional de produtos suínos é consumida internamente. O consumo per capita é de apenas 13,8 kg/ano. Considerando os índices de outros países, do primeiro mundo (cerca de 75 kg na Dinamarca, 66 kg na Espanha e 58 kg na Alemanha), percebe-se o quanto o consumo dessa carne nobre e de alta qualidade está reprimido no País e pode crescer. A duplicação do consumo ainda manteria, mesmo assim, os índices nacionais bem abaixo dos acima mencionados.
Como vemos, a possibilidade de expansão da suinocultura – e todos os benefícios sociais decorrentes – depende, primordialmente, do aumento do consumo interno que, por sua vez, depende fundamentalmente do aumento do poder aquisitivo da população, e da popularização da carne suína, colocada no mercado em cortes (carne in natura) e a preços acessíveis, competitivos com os de outras carnes.
O mercado externo entretanto, não deve e não pode ser desprezado. O consumo de carnes cresce no mundo e as fronteiras agrícolas da maioria dos países grandes produtores estão esgotadas, não somente pela limitação de áreas para expansão da atividade agropecuária (produção de grãos) como, principalmente, pela falta de áreas ainda aptas a receberem o descarte dos dejetos produzidos na suinocultura.
Este também, ainda não é um problema brasileiro. Enquanto na Europa já existem 36,8 suínos por km2 de área agricultavel, na China 50,6 e nos EUA 10,2, no Brasil são apenas 4,2. O País tem 18% das terras agricultáveis do Planeta e, dos 290 milhões de ha aptos para agricultura, ocupa menos de 50 milhões.
Além disso, temos água em abundância (também já falta em muitos países) clima privilegiado, abundante produção de grãos (com amplas possibilidades de expansão) e material humano de qualidade.
Como se pode ver, um dos maiores potenciais deste país, pelo menos na atividade primária, tanto do ponto de vista econômico como, especialmente social, está na suinocultura.
É fundamental, entretanto, que o crescimento da atividade seja programado e controlado, de formas a manter o equilíbrio entre a demanda e a oferta no mercado, considerando o consumo interno e as exportações.
Os riscos decorrentes de um excesso de oferta de carne e produtos derivados no mercado, puderam ser nitidamente observados e sentidos nos últimos 18 meses, que se constituíram no período de maior crise já enfrentada pela suinocultura brasileira, levando milhares de suinocultores à falência.
fonte: Revista PorkWorld





