Produtores da União Européia definem novas estratégias de alimentação
A entidade que reúne os produtores de carne suína da Europa, a European Pig Producers (EPP), realizou seu congresso anual em Graz, na Áustria, no meio deste ano. O foco da conferência foi como enfrentar os novos desafios do segmento. Em sua introdução, o presidente do EPP, Per Bach Laursen, destacou como os produtores de suínos na União Européia estão enfrentando grandes desafios de desenvolvimento da indústria do segmento contra concorrentes mais baratos e menos regulados. O programa da reunião, intitulado "Suínos encontram o futuro", tinha sido escolhido para estimular os delegados a considerar novas estratégias para a Sanidade, Alimentação e Comercialização.
Este primeiro relatório do Congresso do EPP vai centrar-se na sessão sobre estratégias para uma nova alimentação. Os subprodutos da indústria do bioetanol trazem possibilidades de redução dos custos com a alimentação animal? Manfred Weber, o Chefe de Produção de Suínos do Departamento de Agricultura da Alemanha, discutiu se o aumento da produção de grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS), um subproduto da produção de bioetanol, oferece aos produtores de suínos ama real oportunidade de gastar menos com a ração. Ele alertou que este material é muito variável na composição, particularmente no teor de proteína bruta. Isto significa que os valores padrão das tabelas necessitam urgentemente serem atualizadas, particularmente para DDGS base de trigo, a fonte mais produzida na UE. Baseado numa análise dos dados disponíveis depois de testes realizados na Alemanha, Weber disse que DDGS não é um ingrediente adequado para os leitões, certamente não antes da segunda fase de creche. Para os suínos em crescimento, níveis de até 15% podem ser incluídos na dieta sem efeitos adversos sobre o desempenho. "No entanto, quaisquer vantagens econômicas dependem, em primeiro lugar, do preço do produto", concluiu.
Não há dados confiáveis sobre a utilização de DDGS em dietas, mas o alemão pensa que o produto poderia ser considerado durante a gestação, até porque o nível de fibra é de apenas 7,5%. Ele alertou que existem mais dois problemas potenciais com o uso DDGS para suínos: em primeiro lugar, as micotoxinas presentes na matéria-prima serão concentradas no DDGS e, em segundo lugar, a qualidade pobre de proteínas do DDGS exige uma atenção especial na alimentação de suínos e uma suplementação de aminoácidos pode ser necessária, o que irá aumentar o custo da alimentação total. Dr. Weber concluiu que o potencial de DDGS de trigo para reduzir os custos para suínos é limitado.
E que a grande maioria do DDGS do trigo pode ser usada na ração dos bovinos, como é o caso do DDGS do milho nos Estados Unidos. Voltando sua atenção para outro ingrediente, Weber abordou a qualidade da proteína do farelo de canola, que é amplamente cultivado na UE, com a do farelo de soja (maioria tem de ser importada). A composição química do farelo de canola apresenta pouca variação de uma safra para outra. Em um ensaio com a alimentação de suínos em crescimento e terminação, os suínos alimentados com farelo de canola (10 ou 15% na dieta crescimento e 15 ou 20% no acabamento), tiveram resultado tão bom como aqueles alimentados com a dieta controle com farelo de soja. Levando em conta as pequenas diferenças no desempenho e na composição de carcaça, a economia 2,63 euros ou 5,77 euros por animal foi obtida com dietas de colza na refeição, durante o julgamento. No entanto, um novo cálculo dos custos com o preço atual (20 Euros), Weber mostrou que não seria mais muito econômico adicionar farinha de colza nestas dietas.
MICOTOXINAS
Franz Waxenecker, diretor de Desenvolvimento da Biomin, prosseguiu com as análises sobre o potencial de altos níveis de micotoxinas nos subprodutos dos destilados, abordando a gestão de risco de micotoxinas para os produtores de suínos. Ele explicou a abordagem básica da empresa, que possui três pilares: evitar, detectar e descontaminar. Segundo a Organização Mundial das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação(FAO), 25% das culturas do mundo estão contaminados por micotoxinas. E estima-se que 95% das micotoxinas já são produzidos no campo. Amostragem para micotoxinas é especialmente problemática porque elas, geralmente, são distribuídas de forma desigual na transferência de material. Além disto, concentrações ainda muito baixas de micotoxinas podem ter efeitos altamente negativos para a saúde e o desempenho dos suínos. Usando os dados publicados, Waxenecker demonstrou como a contaminação por micotoxinas pode afetar negativamente o crescimento e o sistema imunológico dos animais. A detecção pode ser alcançada através de métodos rápidos como o ELISA, que só é adequado para matérias-primas. Métodos de referência (como o HPLC) dá resultados mais confiáveis, mas exigem equipamentos especializados e muito caros.
A empresa publica regularmente os resultados de sua pesquisa sobre micotoxinas. O último trabalho, feito entre 2004 e 2008, revelou níveis de contaminação na Europa que variam de 9% das amostras (toxina T-2 em amostras da região central da Europa) a 100% (para fumonisina no Norte da Europa). Além disso, 17% das amostras continham mais de uma micotoxina. Os testes de quase 200 amostras de DDGS demonstraram que este é um material de risco particularmente alto de contaminação por micotoxinas, com mais de 90% das amostras contendo mais de um tipo de micotoxinas. Waxenecker explicou que nenhuma estratégia pode neutralizar todos os tipos de micotoxinas. A descontaminação pode desempenhar um papel: a adição de uma substância química, como a bentonita, pode limitar os efeitos adversos, reduzindo a biodisponibilidade das micotoxinas. No entanto, recentemente foi descoberto que certas enzimas, como as leveduras em particular, são capazes de desintoxicar a micotoxina, transformando-a em um metabólito não-tóxico, o terceiro dos pilares no programa examinado.
Alimentação úmida
Na introdução de sua apresentação, Karl-Heiz Denk, diretor de Vendas e Marketing da Schauer Agrotronic, disse que a obtenção de padrões de higiene elevados com um sistema de alimentação úmida não é uma missão impossível. Ele descreveu as vantagens deste tipo de alimentação: a opção de usar os ingredientes mais baratos; 10% menos desperdício de alimentos; economia de custo de 0,18 euros por quilo ganho; distribuição alimentar mais precisa, e a possibilidade de uso de um sistema de informática de controle do manejo alimentar. Este último ponto permite o controle da formulação (e sobre o consumo de alimentos), bem como a facilidade de fazer mudanças. Denk identificou três pontos críticos em matéria de higiene nos sistemas de alimentação líquida. Em primeiro lugar, muitos subprodutos são ideais para o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis. Em segundo lugar, a água potável e os sistemas abertos também representam um perigo com os germes patogênicos. E, finalmente, as tubulações são propensas ao acúmulo de biofilme no seu interior, que podem contaminar os alimentos com microorganismos incontáveis em cada “mamada”. Dos vários tipos de contaminantes em um sistema de alimentação úmida, o pesquisador disse que as leveduras, os fungos e as bactérias causam os maiores problemas, inclusive uma indesejável fermentação dos alimentos, redução da ingestão, comportamento agressivo, baixa eficiência alimentar e, no pior dos casos, até morte súbita.
Denk mostrou as características do projeto de tanque que contribui para uma boa higiene, como a área de superfícies internas, sem saliências e com tubos especialmente concebidos para a mistura com pás. A pré-purificação mecânica é conseguida com rotação dos bicos e a limpeza do tanque é integrada ao projeto, incluindo bicos de alta pressão de água com a opção de água quente. Outros pontos positivos de saneamento podem ser obtidos usando a luz ultravioleta e/ou a adição de ácidos. Na comparação dos resultados alcançados com diferentes produtos químicos para a desinfecção de água potável, Denk disse que o ozônio tem se mostrado o mais eficaz para superfícies. A empresa dele começou há 15 anos a concepção de sistemas de alimentação com higiene máxima, oferecendo um sistema controlado por computador, a limpeza e desinfecção automática para o sistema de tubulação geral, incluindo os tubos de queda. O sistema elimina problemas de higiene no tanque de mistura e distribuição dos alimentos (em pequenas quantidades e de forma seca) através de um caminho formado por tubos de aço inoxidável, com ar-gerador. O pesquisador concluiu que não houve muito interesse, recentemente, em alimentação líquida apesar de oferecer muitas vantagens para o produtor de suínos, mas apenas o mais elevado nível de higiene vai trazer os benefícios necessários.fonte: The PigSite.com





