EQUIPE DE VETERINÁRIOS - TECSA Laboratórios
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CAUSADAS POR PATÓGENOS PRIMÁRIOS
Circovírus suíno tipo 2 (PCV2)
Este vírus, pertencente à família circoviridae, é o agente causador da síndrome multissistêmica do definhamento suíno. Uma doença que afeta principalmente leitões, entre 5 e 18 semanas.
Os sinais clínicos mais característicos incluem emagrecimento progressivo, dispnéia e taquipnéia. Junto com estes sintomas também podem ser vistos icterícia, palidez de mucosas e diarréia. A lesão mais característica desta síndrome é a existência de um acentuado aumento no tamanho dos linfonodos, especialmente os inguinais superficiais. Além disso, os pulmões não colapsam na abertura da cavidade torácica e apresentam pneumonia intersticial.
Doença de Aujeszky
Esta doença é produzida por um vírus pertencente à família Herpesviridae. Embora o vírus possa afetar animais de todas as idades, nos últimos anos, o processo aparece sobretudo em animais de engorda e marrãs. O vírus tem uma afinidade para o sistema nervoso e respiratório, e neste último prejudica o aparelho muco-ciliar.
Os sinais clínicos dependem da dose infectante e da idade dos animais infectados. Assim, enquanto os suínos jovens apresentam principalmente sintomas nervosos, os mais velhos apresentam sintomas nervosos e respiratórios. As vias respiratórias apresentam-se congestivas, edematosas, com pequenas úlceras ou focos de necrose e recobertas por um exsudado seroso ou muco-purulento (infecção bacteriana secundária). Nos pulmões, a observação de lesões macroscópicas é pouco freqüente, embora, edema intersticial, hemorragias e, em algumas ocasiões, focos de necrose de pequeno tamanho possam ser identificadas.
Mycoplasma hyopneumoniae
M. hyopneumoniae é o patógeno primário da pneumonia enzoótica suína, um processo crônico que é o resultado da ação combinada deste agente, que coloniza o epitélio bronquial provocando a perda dos cílios e reduzindo a função do aparato muco-ciliar (figura 1), com predisposição à infecção por outras bactérias como Pasteurella multocida. A pneumonia enzoótica é uma enfermidade presente na maioria das criações. Estima-se que, aproximadamente, 80% dos animais sacrificados no abatedouro apresentam lesões compatíveis com este processo, enquanto possui uma alta morbidade, a mortalidade é muito baixa.
Figura 1: M. hyopnemoniae aderido aos cílios. Fonte: Retirado do site microbewik.
Este processo pode apresentar-se de forma aguda ou crônica. A forma aguda ocorre quando a doença aparece em uma granja livre do patógeno e se apresenta com anorexia, hipertermia, tosse e morte de leitões e suínos adultos. Na forma crônica, que é a mais comum, os animais apresentam tosse esporádica e não produtiva, ligeira hipertermia e retardo no crescimento.
Actinobacillus pleuropneumoniae
Nesta bactéria, cuja virulência está relacionada com sua cápsula, os lipopolisacarídeos de sua parede e diferentes toxinas (ApxI, ApxII e ApxIII), são a causa da pleuropneumonia suína, uma doença cuja apresentação é favorecida por situações de estresse, mudanças ambientais e a infecção concomitante de vírus ou micoplasmas.
O pulmão apresenta uma pleuropneumonia fibrinosa (figura 2), caracterizada pela presença de áreas firmes, friáveis, de cor avermelhada a enegrecida, com superfície elevada e localizada, sobre tudo, nas porções dorsos-caudais. A pleura aparece recoberta por fibrina de forma focal ou difusa. Na cavidade nasal e na traquéia pode apresentar um líquido espumoso e/ou sanguinolento. Nos casos crônicos, observamos nódulos pulmonares de tamanho variável e cor cinza, que podem conter material de caseoso amarelado, estando a pleura espessada e com aderências na parede costal.
Figura 2: Pleuropneumonia fibrinosa em um suíno de 3 meses de idade assossiada à infecção por A. pleuropneumonia. Fonte: Retirado do site do Departamento de Agricultura da Irlanda.
Bordetella bronchiseptica
Esta bactéria, associada ao desenvolvimento de rinite atrófica e de pneumonias em suínos jovens, é, ao mesmo tempo, um patógeno secundário implicado em casos de doenças respiratórias em animais de recria e terminação.
Macroscopicamente, junto com uma atrofia variável dos cornetos nasais, podemos observar como a mucosa nasal aparece congestiva e recoberta por um exsudato muco-purulento. As lesões pulmonares consistem de uma broncopneumonia, caracterizada pela presença de áreas de consolidação de cor vermelha ou cinza nos lóbulos apicais.
Pasteurella multocida
Esta bactéria pode ser isolada na cavidade nasal e nas tonsilas de animais sãos, estando os processos pneumônicos relacionados com o tipo A e, em menor grau, com o tipo D. O tipo D toxigênico (ligado a uma dermonecrotoxina) e, em ocasiões o tipo A, estão implicados junto com B. bronchiseptica no desenvolvimento da rinite atrófica progressiva. Um processo que é favorecido por outra série de fatores como deficiências nutricionais, fatores genéticos ou condições de manejo e instalações deficientes.
Na rinite atrófica progressiva os animais irão apresentar estertores, ruídos ao respirar e descarga nasal mucopurulenta que, em algumas situações, pode ser hemorrágica. A lesão mais característica é a atrofia dos cornetos nasais, que pode ser uni ou bilateral e pode vir acompanhada de desvio do focinho e deformações ósseas.
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CAUSADAS POR PATÓGENOS OPORTUNISTAS
Mycoplasma hyorhinis
Este Mycoplasma afeta principalmente animais entre 3 e 10 semanas de vida e, ocasionalmente, adultos jovens, dando lugar a um quadro agudo de poliserosite, com uma pleurite fibrinosa ou fibrinopurulenta, que ao cronificar-se pode dar lugar a fibroses.
Streptococcus suis
Esta bactéria está associada a quadros de septicemia, artrites, meningites e pneumonias. Os sinais clínicos caracterizam-se pela presença de mortes súbitas, febre, depressão, dispnéia, artrites e sintomas nervosos como tremores, convulsões, opistótonos e nistagmos. Os animais apresentam um quadro septicêmico caracterizado pelo desenvolvimento de meningites, endocardites, poliserosite fibrinosa e, no pulmão, podemos encontrar uma broncopneumonia fibrinosa ou purulenta ou, ainda, uma pneumonia embólica.
Haemophilus parasuis
Esta bactéria que pode ser isolada da cavidade nasal de suínos saudáveis, é o agente causador da Doença de Glässer, uma poliserosite fibrinosa que se relaciona com estados de estresse e que afeta os animais de 3 a 6 semanas de vida. Os leitões que desenvolvem a forma aguda apresentam febre, depressão, dispnéia, cianose, artrites e sintomas nervosos. Nos casos crônicos podemos observar tosse, claudicação e perda de peso. A lesão mais característica é a existência de um depósito de fibrina, de cor brancacenta ou amarelada, sobre uma ou várias superfícies serosas, como o peritôneo, pericárdio, pleura, articulações e meninges (figura 3). Nos casos crônicos são observadas aderências fibrosas. As lesões pulmonares correspondem com uma broncopneumonia fibrinosa ou purulenta, que afeta os lóbulos apicais e/ou mediais.
Figura 3: Presença visível de fibrina na cavidade peritoneal (peritonite fibrinosa) e cavidade pericárdica (pericardite fibrinosa). Fonte: Retirado do site pig333.
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CAUSADAS POR PATÓGENOS OCASIONAIS
Salmonella choleraesuis
Os quadros septicêmicos podem aparecer em qualquer idade, entretanto são mais freqüentes nos animais desmamados. Os animais mostram áreas hiperêmicas ou cianóticas na pele, principalmente nas orelhas, extremidades e abdômen. Na necropsia, as lesões mais características correspondem a uma pneumonia nos lóbulos apicais e médios, esplenomegalia, hepatomegalia, acompanhada pela presença de focos de necroses e hemorragias renais e nos nódulos linfáticos, que ao mesmo tempo aparecem aumentados de tamanho.
Actinobacillus suis
É um patógeno pouco comum e surtos desta doença aparecem, frequentemente, em granjas de alto status sanitário. Os sinais clínicos são cianose, tosse, inflamação de extremidades e articulações, lesões na pele semelhantes às produzidas na erisipela e morte súbita. As lesões pulmonares são semelhantes às produzidas por A. pleuropneumoniae. Além do pulmão, ocorrem hemorragias na pele, fígado, intestino, rins e coração.
Arcanobacterium pyogenes
Bactéria encontrada normalmente na pele e nas mucosas dos suínos saudáveis, sendo um oportunista que invade os tecidos danificados, tais como feridas na pele ou nas caudas e orelhas que tenham sido mordidas. No pulmão há uma pneumonia embólica caracterizada pelo aparecimento de pequenos focos esbranquiçados rodeados por um halo hiperêmico nas formas agudas, que podem evoluir para a forma de abscessos.
CO-INFECÇÕES MAIS FREQUENTES DOS AGENTES PATOGÊNICOS
O complexo respiratório suíno é o resultado da ação de diferentes agentes (primários, oportunistas ou ocasionais), em condições ambientais adversas e em um manejo deficiente. As principais associações de patógenos respiratórios e seus efeitos observados estão na tabela abaixo (clique para ampliá-las):
*Referências disponíveis com autor. Se necessário consulte-nos.









