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Os preços continuarão altos no futuro dos insumos

Seminário Internacional de Suinocultura Agroceres PIC debate economia em um cenário mais competitivo e instável, e como os produtores devem se manter atentos ao mutável mercado econômico

Quinta-feira, 9 de Agosto de 2018 às 18h51

Os preços continuarão altos no futuro dos insumos

Com um debate mais alinhado as questões econômico-conjunturais e de mercado, o 13º Seminário Internacional de Suinocultura Agroceres PIC trouxe, neste segundo dia, temas que geram impacto direto na rentabilidade dos produtores. O evento acontece entre os dias 8 e 10, no Club Med Rio das Pedras, em Mangaratiba no Rio de Janeiro.

Abrindo as plenárias Gustavo Franco, economista e ex-presidente do Banco Central do Brasil, fez um panorama do “Cenário Macroeconômico e Impacto nos Negócios”, que nos últimos anos vem se caracterizando pelo forte domínio das taxas de juros estipulados no Brasil. Dessa forma a chamada Convergência de juros pode ter efeito semelhante ao da estabilidade, sobretudo se alcançar as taxas no crédito. No Juro Estrutural a saída é a redução de custo. “Esse é o caminho que devemos trilhar se quisermos atingir a prosperidade”, explica Franco. O especialista também destaca que a previsão para 2019 é de uma Selic de 9,6 com taxa de juros na casa de 4,5.

O país vive hoje uma interrupção na piora econômica, sendo esta uma vitória, mesmo com o fracasso dos reajustes. O foco em questões estruturais (reformas) não foi suficiente para recuperar a economia, e o desafio para o próximo governo está no reajuste fiscal. “A normatização da política monetária mundial está causando grande impacto negativo nos países mais frágeis economicamente, como o Brasil e a Argentina, e solidificamos isso quando vemos que o Risco Brasil piorou. Assim como o Rating da republica, que foi muito afetado. Já o câmbio, que é o cenário mais sensível entre estes, absorveu de forma mais intensa toda essa problemática”, pontua Franco.

Para o futuro o especialista destaca a manutenção da tendência de acumulação de reservas e de apreciação cambial, mesmo com a economia fraca. Consequência da recessão nas importações que aconteceram em vários setores da economia nacional, inclusive no agro.

André Pessoa, sócio e diretor da Agroconsult, também falou sobre mercado, porém, com um olhar direcionado à “Análise do Mercado de Grãos”, cuja pauta mundial gira em torno da guerra entre Estados Unidos e China. No caso de um acordo entre as duas potencias acontecer, esse processo ainda seria de baixo impacto, mas se persistir, que é a hipótese mais aceitável, haverá um aumento das vendas da soja brasileira para o mercado chinês. No mesmo tempo em que a Europa fortificará a compra do grão norte-americano. “Termos uma exportação que deverá fechar 2018 com 94 milhões de toneladas, na China a projeção é que em 2019 a importação do cereal seja de 10 milhões de toneladas inferior a este ano”, pontua.

Nos EUA as lavouras 18/19 seguem com excelente desenvolvimento, e o processo está acelerado para a formação de uma nova oferta em cima de uma safra de 117,3 milhões de toneladas, conforme informado pelo USDA. A Argentina deve voltar a crescer, atingindo na safra 18/19 uma produção de 57 milhões de toneladas. “A verdade é que mesmo o Brasil tendo um acréscimo de 1 milhão de hectares plantados o quadro se manterá com estabilidade para a próxima safra”, explica Pessoa. Também em cenário nacional a safra futura vem registrando aumentos expressivos nos custos de produção, e haverá ainda um aumento de 3% na área plantada, cujo crescimento continuará sendo uma prioridade dos produtores.

O mercado doméstico está mudando, e a safra verão tem sido cada vez menor. No Centro Sul (maior região consumidora do Brasil) são 20% a menos, no Sul o cenário deficitário já está sendo vivenciado desde o 1º semestre. Estruturalmente o país passou a ter como período de preços mais altos o começo do ano. “Porém, em 2018, a safrinha foi muito ruim. Com exceção do Mato Grosso, que teve um desempenho considerado normal para o período. Uma safrinha com problemas reflete em menor produtividade”, complementa.   

Para o milho a expectativa é que os preços continuarão altos aos consumidores, principalmente no Sul do Brasil, o suficiente para significar um aumento dos preços nos custos. Um cenário que deve permanecer até o meio do ano que vem.

Para saber mais sobre o evento acompanha a próxima edição da revista PORK

Fonte: revista PORK

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