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Brasil precisa planejar bem o crescimento da suinocultura

Especialistas reunidos no Brasil Pork Event 2017 apostam no aumento da produção de carne suína brasileira, mas recomendam cautela...

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2017 às 20h30

Brasil precisa planejar bem o crescimento da suinocultura
Brasil precisa planejar bem o crescimento da suinocultura

O Brasil Pork Event 2017 promoveu nesta tarde de quarta-feira uma mesa redonda para debater o tema “Projetando a suinocultura do futuro”, com transmissão ao vivo pelo canal Terra Viva, no Hotel Infinity Blue Resort, em Balneário Camboriú (SC). O encontro reuniu Dirceu Zotti, presidente da Cooperativa Lar Agroindustrial (PR); Valdomiro Ferreira Junior, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS); Roberto Coelho, do Grupo Cabo Verde (MG); Valdecir Folador, presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS); Marcelo Lopes, presidente Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS); Reinaldo Morais, CEO da Suinobrás (MT); Igor Weingartner, da Cooperativa Cosuel (RS); Thiago Bernardino, pesquisador do CEPEA, e Mario Faccin, comandante da Master Agropecuária (SC).

O Brasil Pork Event é organizado pela Topigs Norsvin, reconhecida como a mais inovadora empresa de genética suína, e reuniu criadores, pesquisadores, executivos de empresas e cooperativas, além de líderes da cadeia suinícola. E teve o apoio das empresas Tectron, Alltech, De Heus, Ibersan, Minitub e MSD. Esta segunda edição teve ainda o lançamento oficial no país da TN70, fêmea híbrida F1 Landrace - Large White, um dos maiores avanços da pesquisa genética mundial. Acompanhe os principais pensamentos de cada profissional durante a mesa redonda.

Mario Faccin – Máster Agropecuária

“É preciso cautela para pensar em termos de aumento da oferta de carne nos próximos anos para não sermos surpreendidos se ofertarmos algo que não tenha demanda. Já sofremos bastante com situação semelhante”

“Estamos negociando um acordo com a União Europeia e a missão brasileira pôs na pauta geral apenas 40 mil toneladas de carne suína para exportação. Um número ridículo, mas quase nenhum suinocultor brasileiro sabia. Só depois conseguimos aumentar para 120 mil toneladas. Influenciamos pouco politicamente falando”

“Em 40 anos, vivemos uma revolução. Saímos de doze leitões para 36. Abatido com 130 quilogramas. Um salto espetacular. Sabemos quanto é o gasto de água por animal, meu funcionário trabalha com luvas. Somos competitivos mundialmente. Tenho orgulho disso”

“O futuro é da automação. Alimentação, medicação, medição, avaliação. E cada elo da cadeia enxergar o que virá em seu setor. E percorrer ainda um longo caminho na gestão”

“O produtor independente morre se ficar sozinho. Ele precisa atuar em grupo, pois a tendência é a verticalização ainda mais violenta”

Valdomiro Ferreira - APCS

“Precisamos compreender o consumidor, entender a população urbana para ter melhores resultados aqui dentro”

“Precisamos melhorar o trabalho de nossas missões e embaixadar no exterior. Para atuarmos com mais profissionalismo”

“Precisamos ter freio na questão da oferta e demanda da carne suína. Para mantermos nossa lucratividade”

“Todo setor que cresce ganha mais visibilidade. Termos mudado a sede da ABCS para Brasília foi fundamental. Deixarmos de ser plateia e termos influência sobre nosso próprio negócio e sobre a economia, a sociedade. E atuarmos em duas questões vitais a todas as cadeias: Reforma Tributária e Reforma da Previdência”

“A suinocultura brasileira tem que ir mais para o lado do mercado futuro. Não podemos mais comprar sozinhos e ficar refém do spot. Temos que evoluir para consórcios, como o de São Paulo, ou cooperativas. E valorizar a carcaça, o rendimento, as peças, produtos de valor agregado. Indexar nosso preço em carcaça não e mais possível”

“Velocidade, informação correta, consumidor e segurança alimentar. São as palavras chaves para o futuro das proteínas animais. Cabe a nós trazer para o nosso negócio, adaptarmo-nos a elas. Ter origem, marca, qualidade e rastreabilidade. E penetrar cada vez mais no mundo dos jovens, com oferta de carne suína na merenda escolar”

Valdeci Folador - ACSURS

“Temos toda capacidade para aumentarmos a produção, mas precisamos pensar na renda. Crescer com pé no chão. Quando passamos de 3% de crescimento, como no ano passado, temos algum problema de preço no mercado interno”

“Trabalhamos no sentido de ter cuidado máximo com meio ambiente. No Sul, onde a propriedade é pequena, tocada por famílias, outro grande desafio é a sucessão. Porque a maioria dos descendentes não deseja entrar na atividade. Logo, ganha importância orientarmos no sentido da gestão profissional. Para ele aprender a fazer contas, entender a atividade, ter esta qualificação”

“O suinocultor precisa de reciclagem, treinamento, uma ou duas vezes por ano. Iniciativa das cooperativas. As empresas já fazem isto”

Marcelo Lopes - ABCS

“Temos grande capacidade para aumentar a produção de carne suína, mas temos que resolver o problema de política agrícola, de crédito e transporte de grãos pelo Brasil”

“Temos que eleger representantes que defendam o criador de suínos, que tenham projetos e nos representem. Vivemos um estado de insegurança em nossas propriedades rurais, elas estão à mercê de invasores”

“Não tenho dúvidas de que chegou o momento da carne suína no Brasil. Estamos evoluindo ano a ano, atuando com açougueiros, nutricionistas, médicos, merendeiras, varejo. Mas temos o que melhorar em termos de indústria. Já temos cinco grandes redes nacionais de supermercados envolvidos com a semana nacional da carne”

Reinaldo Moraes – Grupo Suinobras

“Sou um entusiasta da produção de carne suína pelo Brasil. Mas temos que ficar de olho nas barreiras tarifárias colocadas pelos países concorrentes. Como é caso de não termos o status de país livre de Febre Aftosa. E pulverizar ainda mais o número de parceiros comerciais, pois nossa carteira ainda está restrita a algo perto de dez nações”

“Vamos centrar nossa produção no sentido da sustentabilidade, do bem-estar animal, uso racional de antibióticos. Produzir mais e melhor, ter o controle nas mãos e abrir novos mercados. E implementar por nossa conta, sem precisar de medidas impostas. Para ganhar de vez o consumidor, tanto no Brasil como no mundo”

“Não existe mais produção sem excelência, sem gestão e controles. O futuro é de mão de obra altamente especializada, treinamento, números, informatização e automação. Hoje, já temos até quinze tipos de ração nas granjas”

Tiago Bernardino - CEPEA

“Os produtores precisam lutar por programas públicos usando dados técnicos e informações que hoje temos na mão”

“Quando analisamos uma fazenda no CEPEA, analisamos produção, mão de obra, recursos humanos, gestão financeira e comercialização. Vamos discutir um indicador de suínos para o futuro. Já é viável. Temos lições de casa para fazer” 

“É fundamental transferir conhecimento entre os parceiros. Troca de experiência e informações vão levar a carne suína para um outro patamar”

Roberto Coelho - Grupo Cabo Verde (MG)

“Temos que exigir providências mais concretas e imediatas da nossa vigilância sanitária para casos graves como foi o surgimento da PRRS no Uruguai. O Ministério da Agricultura não fez nada e por isso reclamamos bastante”

Dirceu Zotti - Cooperativa Lar Agroindustrial (PR)

“Passamos várias crises com as cooperativas sofrendo mais que os produtores. As diretorias trabalham sempre no sentido de ajudá-los. Em nosso caso, no Sul do país, são em maioria pequenos proprietários. E também atuando ao lado de outras cooperativas”

“Em nossa região de abrangência, cresce o número de jovens produtores, que herdaram a granja, fizeram curso superior e têm uma boa bagagem. Porém, esses jovens não vão pegar no cabo da enxada. São mais exigentes dos que o de nossa geração, mais antiga”

Igor Weingartner - Cooperativa Cosuel (RS)

“O futuro exige adaptação, mudanças. Precisamos de escala de produção para que vençamos o desafio de escoamento de produção, menor número de origens, idade da produção, etc. É inevitável, pelo menos no Rio Grande do Sul, granjas maiores, mesmo que em modelo coletivo, mesmo que tenham mais de um dono. Para ele tornar-se um suinocultor mais profissional”

Fonte: Revista Pork

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