Manejo

Publicado em 20.07.11 às 16:07 hs

Tratamento a leitões desmamados com baixo peso combate doenças respiratórias crônicas

Medicamento reduz problemas respiratórios e melhora da conversão alimentar

Autores: Dallanora, D.1; Pinheiro, R.W.1; Heck, A.2; Perondi, A.3; Michelon, A.2; Peixoto, C.H.2; Oliveira Jr., F.T.T. 4;

 

1Integrall Soluções em Produção Animal Ltda.

2Perdigão Agroindustrial Ltda

3Médico Veterinário

4Laboratórios PfizerLtda - e-mail: fabio.teixeira@pfizer.com

 

PALAVRAS-CHAVE: Tulatromicina, baixo peso ao desmame, saúde respiratória.

 

INTRODUÇÃO

Os leitões desmamados com baixo peso (seja pelo baixo peso ao nascimento, baixo acesso ao colostro ou por algum fator externo que tenha comprometido seu desenvolvimento na maternidade) representam um grande desafio dentro dos sistemas de produção (Deen, 2005; Larriestra et al, 2005).

A frequência de animais de baixa competência imunológica é elevada nesse grupo e tem importância na facilitação da disseminação de vários agentes patogênicos.

Dessa forma, o desenvolvimento de ferramentas que auxiliem no manejo dessa categoria de animais é muito importante. Dentro desse conceito, a Tulatromicina 100 mg/ml* apresenta uma distribuição tecidual extremamente rápida e uma concentração pulmonar superior à concentração plasmática, além de se acumular em células do sistema imune que liberam a molécula na forma ativa no local da infecção (Evans, 2005).

A aplicação em dose única e a extra-longa ação, aliadas à sua boa atividade in vitro contra os principais agentes patogênicos respiratórios tornam essa nova

molécula especialmente indicada para o controle e prevenção do complexo de doenças respiratórias crônicas.

O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito do uso da Tulatromicina injetável 100 mg/ml* em animais de baixo peso a desmama sobre os principais parâmetros de produtividade, além do efeito sobre os parâmetros clínicos de saúde respiratória e medicação injetável.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados leitões de um sistema de produção em dois sítios, localizado no estado de Santa Catarina e previamente selecionado por apresentar desafios respiratórios mistos diagnosticados no período pós-desmame.

O sistema realizava três desmamas semanais (cada uma com aproximadamente 600 leitões),das quais foram utilizados os 20% leitões mais leves de duas desmamas para este estudo. Foram utilizados no experimento 240 leitões (120 animais mais leves de cada desmama), divididos em baias de 15 animais, totalizando 8 baias/grupo experimental. Os leitões foram pesados individualmente na desmama, brincados e randomizados em dois grupos experimentais: T- 1 (leves + 100 mg/ml *): medicados com 100 mg/ml *

na dose única de 2,5 mg/kg no momento da desmama; e T- 2 (leves): com aplicação de solução salina estéril.

As desmamas foram alojadas em salas diferentes (S1 e S2) com 4 baias de cada grupo por sala, onde as condições de ambiência, alimentação e manejo foram igualmente mantidas entre grupos e entre salas.

Cada baia foi considerada como unidade experimental, sendo que os tratamentos foram dispostos em um delineamento em blocos inteiramente casualizados, onde cada sala utilizada correspondeu a um bloco. Os leitões tiveram seus pesos de desmama e de saída de creche registrados individualmente.

Foram coletados dados de consumo de ração por baia, permitindo a avaliação do ganho de peso diário e conversão alimentar. Os índices de tosse e espirro foram avaliados durante todo período experimental (Mores et al., 1999), além

do registro da mortalidade/eliminação.

Todas as medicações aplicadas nos animais experimentais, por quaisquer que fossem os motivos (artrites, diarréias, tosse, etc), foram devidamente registradas e a freqüência de medicação foi analisada. O pacote estatístico SAEG (Sistema de análises estatísticas e genéticas) foi utilizado para análise de variância e comparação entre médias.

Para as variáveis clínicas (índices de medicação e índice de tosse e espirro), foram utilizados testes de dispersão de freqüência (Quiquadrado) e testes não-paramétricos como o Kruskall-Wallis.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Parâmetros de produtividade (tabela 1): O peso de saída de creche apresentou uma diferença de 0,392 kg entre os grupos (17,552 kg e 17,160 kg para T1 e T2, respectivamente), porém não significativa estatisticamente (p>0,05).

Os parâmetros de ganho de peso e consumo de ração também foram

estatisticamente equivalentes (p>0,05) em ambos os tratamentos. O coeficiente de variação do peso de saída foi numericamente semelhante entre os grupos (3,79% e 4,74%, para T1 e T2, respectivamente).

Na conversão alimentar, o T1 apresentou um índice de conversão alimentar significativamente melhor comparado com o T2 (p<0,05).

 

Parâmetros de saúde respiratória (tabela 2):

O índice médio de tosse no T1 foi de 0,89% e no T2 foi de 2,33%. Para espirros, o índice médio foi de 4,11% no T1 e 6,78% no T2. Avaliando a freqüência de tosses através do teste de qui-quadrado, houve efeito do tratamento com Tulatromicina 100 mg/ml* sobre a redução da frequência de tosses (p=0,0123) e o efeito se repetiu também para a freqüência de espirros (p=0,008).

Medicação injetável: O T1 teve uma freqüência significativamente menor (p=0,0852) de medicação injetável (6,7%) em relação ao T2 (13,3%). O percentual de medicação injetável foi calculado sobre o total de animais alojados, ou seja, 8 e 16 animais medicados para 120 alojados em cada grupo para T1 e T2, respectivamente.

A maior causa de medicação injetável foi a ocorrência de diarréia no alojamento e nos momentos de troca da ração, principalmente para a ração inicial.

Mortalidade e eliminação: Não existiu mortalidade em ambos os grupos e apenas um leitão do T2, na sala 2, foi eliminado por apresentar artrite.

 

CONCLUSÃO

O tratamento com Tulatromicina 100 mg/ml* injetável no momento da desmama nos leitões mais leves foi eficiente para reduzir a freqüência de tosse/espirro e índice de medicação injetável adicional e também na melhora da conversão alimentar, com diferença estatística significativa para todos estes parâmetros.

Nas condições específicas do presente experimento, mesmo detectando-se diferença numérica para peso de saída de creche, consumo de ração e ganho de peso no período avaliado, não se verificou diferença estatística significativa entre os tratamentos para estes parâmetros.

 

Notas de rodapé

*Tulatromicina 100 mg/ml: Draxxin® da Laboratórios Pfizer Ltda

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Deen, J. Pro forma budgets and the at-risk pig. American Association of Swine Veterinarians, 2005, p. 441- 443. 2. Larriestra, A.J.; Morrison, R.B.; Deen, J. A decision-making framework for evaluating interventions used at weaning to reduce mortality in lightweight pigs and improve weight gains in the nursery. Journal of Swine Health and Production, Volume 13, Number 3, 2005, p. 143-149. 3. Evans, N.A. Tulathromycin: Na overview of a new triamilide antimicrobial for livestock respiratory disease. Veterinary Therapeutics Vol. 6, No. 2, Summer 2005, p. 83-95. 4. Mores, N.; Sobestiansky, J.; Dalla Costa, O.A.; et al. Utilização da contagem de tosse e espirro como indicadores da ocorrência e severidade de pneumonias e rinite atrófica, respectivamente. Comunicado Técnico n 242./ Embrapa Suínos e Aves, 1999, p. 1–4. 5. Sistema de análises estatísticas e genéticas (SAEG), 2008.

 

 

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