carne

Publicado em 14.06.10 às 15:06 hs

Qualidade da carne desde a cadeia produtiva

Muitas propriedades rurais e frigoríficos já se atentaram a isso e estão investindo em capacitação e profissionalização dos vaqueiros e outros manejadores, além de implantar técnicas e comprar equipamentos que contribuam com o bem-estar não só dos animais, como de todos os envolvidos no processo produtivo.

A cadeia produtiva da carne e toda a sociedade têm acompanhado a preocupação dos frigoríficos em certificar os seus fornecedores, evitando colaborar com a pecuária que desmata ilegalmente e coloca em dúvida a qualidade do produto que está sendo adquirido pelo consumidor. Não podemos deixar de falar do fator que interfere na qualidade da carne: o bem-estar animal. A forma como o animal é tratado é diretamente proporcional à qualidade da carne que ele vai produzir. Conforme estudos já bem aceitos, sabe-se que cerca de 50% das lesões de carcaça detectadas pelos frigoríficos são originadas na fase de produção e de transporte.

Muitas propriedades rurais e frigoríficos já se atentaram a isso e estão investindo em capacitação e profissionalização dos vaqueiros e outros manejadores, além de implantar técnicas e comprar equipamentos que contribuam com o bem-estar – não só dos animais, como de todos os envolvidos no processo produtivo. Além disso, o bem-estar animal se tornou uma exigência crescente e irreversível no mercado internacional. Os próprios consumidores estão mais atentos aos processos usados na produção da carne e dos alimentos em geral.

Entretanto, é preciso aceitar o fato de que os procedimentos de marcação, castração, vacinação, medicação, inseminação artificial e tantos outros têm que ser feitos, já que são práticas usuais e indispensáveis na pecuária de corte. E não existe outra forma de executá-los sem conter ou imobilizar o animal. Infelizmente, muitos pecuaristas ainda trabalham com métodos antigos e brutais para contenção bovina, usando peão e corda, ou seja, laçando, derrubando e amarrando o animal, com risco de feridas e outras lesões graves. Problemas que podem deixar sequelas também para o trabalhador.

Apesar de esse tipo de manejo persistir em algumas propriedades, hoje, o conceito de contenção técnica é melhor aceito. O animal é imobilizado pelo tronco de contenção de forma segura e os peões podem realizar as práticas necessárias da rotina pecuária, evitando, assim, acidentes para o vaqueiro e para o próprio animal com respeito às normas internacionais de ética e bem-estar.

Paulo César Dancieri Filho - Especialista em direito ambiental e desenvolvimento sustentável e diretor de desenvolvimento da Balanças Coimma

fonte: Jornal Estado de Minas



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