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Publicado em 05.09.07 às 16:09 hs

Lignosulfonato como aglutinante na peletização de dietas

SCHMIDT, A.1; LIMA, G. J. M. M. DE 2, 3; SANGOI, S.3; ALBUQUERQUE, W.4
1 Pós-graduanda UFPel, Pelotas, RS, ale_agro@yahoo.com.br; 2 Pesquisador, Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, SC; 3 Bolsista CNPq; 4 Melbar Produtos de Lignina Ltda.

Introdução
Aglutinantes são usados para melhorar a qualidade física dos peletes e/ou melhorar a eficiência da peletizadora. A qualidade física dos peletes é importante por várias razões, sendo a principal a manutenção da integridade, com mínima produção de finos durante o transporte e o manuseio dos peletes, garantindo alto valor nutricional (Thomas e van der Poel, 1996).

O lignosulfonato é um subproduto da indústria de papel, e seu emprego como aglutinante de rações peletizadas tem crescido nos últimos anos. Segundo Biagi (1998), a adição de lignosulfonato traz benefícios, como a elevação da taxa de produção da peletizadora em até 20%, redução da potência/energia demandada, diminuição da quantidade de finos em até 50%, aumento da eficiência da peletização, melhora na distribuição do comprimento dos peletes, maior estabilidade da umidade dos peletes, diminuição da incidência de fungos, aumento da vida útil dos anéis e rolos da peletizadora e maior viabilidade econômica do processo.

O objetivo deste experimento foi determinar o melhor nível de inclusão de lignosulfonato visando otimizar o processo de peletização e a qualidade física dos peletes.

Materiais e Métodos
O experimento foi conduzido na fábrica de rações da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, SC. Foram estudados seis tratamentos: 0, 0,5, 1,0, 1,5, 2,0 e 2,5% de lignosulfonato na dieta. O incremento de lignosulfonato foi realizado através da suplementação deste produto no lugar do milho da dieta T1 (Tabela 1). As dietas foram misturadas em quantidades de 250 kg, com três repetições e depois peletizadas. Utilizou-se uma peletizadora a vapor, da marca Koppers Junior C40, com motor de 50 CV, marca Siemens e anel com furos de diâmetro de 3/16 polegadas.

Para avaliar o processo de peletização foram analisadas as seguintes variáveis: amperagem - leitura do amperímetro, do início ao final da moagem, em tempos espaçados; tempo de peletização - cronometrando-se o tempo de processamento de cada repetição; consumo de energia elétrica (kWh) - calculado através das fórmulas I = P / V e kWh = P * Tempo de peletização (hora)/1000, onde: I = Amperagem, P = Potência (W) e V = Tensão = 658,18; e qualidade física do pelete - através do índice de durabilidade do pelete (PDI), avaliado segundo o método citado no Feed Manufacturing Tecnology III, 1985.

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso. Para a análise estatística dos dados utilizou-se no modelo matemático os efeitos principais de blocos e tratamentos. Foi empregada análise de regressão com o uso do SAS (2002).

Resultados e Discussão
Na Tabela 2 são apresentadas as médias das variáveis estudadas no processo de peletização em função da adição de lignosulfonato na dieta. Não houve efeito significativo da adição de níveis crescentes de lignosulfonato sobre os resultados de consumo de energia (P=0,36), amperagem (P=0,56) e tempo de peletização (P=0,10). Estes resultados não concordam com os relatos de Biagi (1998), que afirmou que a adição de aglutinante de lignina diminui a demanda energética. Porém, o PDI foi significativamente melhorado com a adição de lignosulfonato às dietas (P=0,0001).

Este efeito foi estudado através de regressão, onde obteve-se a equação quadrática PDI= 94,3645+2,2022*X -0,5008*X2, com R2 = 0,85%, onde x= % de lignosulfonato na dieta, apresentando um ponto de máximo PDI (96,79%) com 2,2% de adição de lignosulfonato (Gráfico 1). Como não houve diferença significativa nas variáveis relacionadas ao processo de peletização, o melhor nível de adição de lignosulfonato na dieta foi considerado como sendo 2,2%, pois foi o que apresentou uma melhor durabilidade do pelete.

Conclusão
O uso do lignosulfonato melhorou a qualidade física do pelete, apresentando um nível ótimo de adição de 2,2% na dieta.

Palavras-chave: Durabilidade do pelete, consumo de energia elétrica, tempo de peletização, lignina.

Referências Bibliográficas
1. Biagi, D. J. Implicações da granulometria de ingredientes na qualidade de peletes e na economia da produção de rações. In: Simpósio sobre granulometria de ingredientes e rações para suínos e aves. Anais. Concórdia, SC. p. 57-70. 1998.
2. Feed Milling Handbook III. Cooperative Extension Service. Mississipi. 1980. 100p.
3. Thomas, M., e Van der Poel, A. F. B. Physical quality of pelleted animal feed . 1. Criteria for pelllet quality. Animal Feed Science Technology. 61:89-112. 1996.


fonte: Anais do II Congresso Latino-Americano de Suinocultura



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