Manejo

Publicado em 28.09.11 às 16:09 hs

Indução e sincronização do ciclo estral em suínos; Como empregar essa tecnologia na suinocultura tecnificada

Fernando Pandolfo Bortolozzo; Rafael Faraco Werlang;

Henrique Castello Costa de Fries e Ivo Wentz

 

UFRGS/FAVET/Setor de Suínos

Av. Bento Gonçalves, 9090, CEP 91540-000, Porto Alegre/RS

 

1 INTRODUÇÃO

A sincronização do ciclo estral é uma atividade associada ao manejo reprodutivo fundamental para a organização dos grupos ou lotes periódicos de manejo. As implementações adequadas de técnicas de indução de estro e sincronização de ciclo estral permitem que sejam organizados grupos com idades semelhantes e/ou em fases reprodutivas concomitantes. Conseqüentemente, é possível implementar com maior facilidade programas de desinfecção (que exigem um vazio sanitário – todos dentro todos fora), as atividades são racionalizadas e as ações específicas são concentradas em determinados períodos. A eficiência na implementação dos protocolos e a racionalização da mão-de-obra ficam bem mais evidentes quando se organizam os lotes sincronizados.

Na suinocultura tecnificada, em granjas com um número superior a 200 matrizes, é possível implementar grupos semanais de manejo (dependendo da dimensão da granja esses eventos podem ocorrer 2-3 vezes na semana ou até mesmo podem ser diários), onde são estipuladas metas semanais de fêmeas inseminadas, paridas, descartadas e repostas. Atingir essas metas é fundamental para a unidade manter uma excelente produtividade homogeneamente distribuída ao longo do ano. Um exemplo típico é o número de fêmeas inseminadas por grupo, esse índice sozinho influencia 60% do número total de leitões desmamados no lote (Foxcroft e Aherne, 2001). Se, por alguma falha na sincronização de estro dos grupos, por exemplo, não tiver disponibilidade suficiente de fêmeas para serem inseminadas, a produtividade será afetada diretamente.

A sincronização do ciclo estral e a indução do estro podem ser realizadas empregando técnicas de manejo específicas para leitoas e porcas. Da mesma forma, é possível empregar a hormonioterapia na sincronização do ciclo estral e a indução do estro desses animais. Esse artigo tem como objetivo comentar sobre os princípios fisiológicos no emprego desses manejos, bem como descrever como empregá-los nas rotinas de produção.

 

2 ASPECTOS FISIOLÓGICOS DO CICLO ESTRAL EM SUÍNOS

O suíno doméstico é considerado uma espécie poliéstrica anual, isto é, apresenta ciclos estrais durante todo ano. O ciclo estral dura em média 21 dias (variação de 18-24 dias) e é usualmente classificado por fase folicular, com presença de folículos; e fase luteal, com presença de corpos hemorrágicos/lúteos (Borchardt Neto et al., 2005). A fase folicular tem duração de 4 a 5 dias e luteal de 15 a 17 dias (Kirkwood, 2008). Apesar de a espécie ser considerada poliéstrica anual, vários autores citam uma queda na eficiência reprodutiva usualmente referenciada como infertilidade ou hipofertilidade estacional. O verão e o outono são considerados os períodos nos quais ocorre uma maior queda na eficiência reprodutiva sazonal (Borchardt Neto, 1995).

A fase folicular é dividida em pró-estro e estro. A duração do pró-estro é de 1 a 3 dias. Nesta fase as fêmeas apresentam alterações anatômicas, como edema e hiperemia vulvar; e comportamentais, tentando saltar sobre as outras fêmeas, mas não permitindo que seja montada. Essas alterações se devem ao fato de que nesse período há um aumento dos níveis de estrógeno circulante. O estro dura em média 50-60 horas e nessa fase do ciclo as alterações anatômicas são menos evidentes, quando comparadas ao pró-estro. No entanto, as alterações comportamentais continuam sendo percebidas: a fêmea, além de ainda tentar montar sobre outras fêmeas, apresenta reflexo de tolerância ao homem (RTH) na presença de um macho sexualmente maduro. Esse reflexo é conseqüência dos altos níveis de estrógeno produzidos pelos folículos ovarianos. Num primeiro momento, os altos níveis de estrógeno bloqueiam a liberação de LH. Num segundo momento, o estrógeno atinge determinada concentração e, via feedback positivo, provoca o pico pré-ovulatório de LH e, conseqüentemente, a ovulação.

A fase luteal é dividida em metaestro e diestro. A duração do metaestro é de 2 a 3 dias. As concentrações de estrógenos chegam a níveis basais e os corpos hemorrágicos (oriundos dos folículos ovulatórios) começam a produzir progesterona. O diestro dura cerca de 7 a 12 dias, e é caracterizado pela produção de níveis máximos de progesterona nos dias 12 a 14 do ciclo. A regressão luteal inicia no dia 15 a 16 do ciclo e a progesterona atinge níveis basais nos dias 17 a 18 do ciclo, caracterizando o reinício do ciclo.

 

3 TÉCNICAS DE MANEJO EMPREGADAS NA INDUÇÃO E SINCRONIZAÇÃO DO CICLO ESTRAL

3.1 - Leitoas

A fase de indução ao estro em leitoas é um manejo de suma importância em uma granja tecnificada. O plantel de animais em preparação corresponde a 10% do total de fêmeas na granja, considerando-se que hoje são praticadas taxas de reposição de 40% ou até mais.

Nas leitoas a puberdade tende a ocorrer, de forma espontânea, entre 190 a 200 dias de vida (Mellagi et al., 2006a). Leva-se em consideração que se deseja a primeira cobertura com idade mínima de 210 dias, mínimo de dois estros e, em média, três e que as leitoas entrem na granja com 140 a 160 dias de idade. É importante que o primeiro estro seja manifestado o mais cedo possível. Economicamente, um primeiro estro precoce é essencial, pois essa categoria de fêmeas corresponde a quase 50% dos dias não produtivos (DNP) de uma granja, ou seja, cerca de 27 dias (Souza et al., 2006). Polson et al (1990) calcularam que cada DNP custa para a granja US$1,43 por animal. Segundo Mellagi et al. (2006a), a indução ao estro em leitoas pode ser da seguinte maneira:

 

3.1.1 - Transporte e alojamento – hierarquização

Geralmente as leitoas de reposição chegam às granjas comerciais entre 140 e 160 dias de idade, e o estresse sofrido no transporte influencia positivamente na indução do estro. Cabe salientar que em granjas com auto-reposição este efeito tem menos importância, sendo recomendado, nestes casos, que se misture/realoque as leitoas.

As leitoas devem ser alojadas/manejadas preferencialmente em baias coletivas. Esse tipo de alojamento faz com que as leitoas entrem em contato íntimo com o macho, favorecendo o contato focinho com focinho. Além do mais, proporciona mais conforto para os animais, pois as leitoas ficarão em um ambiente semelhante ao que estavam na recria/terminação. O espaço ideal por animal é de 1,5m², prevendo a permanência das leitoas até o período de flushing (cerca de 45-50 dias). Para que o macho consiga entrar em contato íntimo com todas as leitoas e que o cio seja detectado corretamente, deve-se deixá-las em grupos de 12 a, no máximo, 20 leitoas. Nas granjas em povoamento não há possibilidade de manejar todas as leitoas em baias devido à indisponibilidade de espaço. Nestes casos, as leitoas devem ser manejadas em gaiolas (o que dificulta o contato íntimo com o macho) levando-se em consideração um contato mínimo leitoa/cachaço de 20 a 30 segundos.

 

3.1.2 - Macho

O contato com um macho sexualmente maduro e de boa libido induz precocemente o aparecimento do primeiro estro através do efeito dos feromônios presentes principalmente na sua saliva. Este contato deve ter início no dia seguinte ao alojamento das leitoas e deve ser realizado 2 vezes ao dia. O macho utilizado neste manejo deve possuir boa sanidade, principalmente de aparelho locomotor, ter no mínimo 10 meses de idade e boa libido. O alojamento do macho pode ser em uma gaiola de gestação ou em baias individuais, e deve ser preferencialmente longe das baias de preparação, pois relata-se que a introdução-retirada do macho dessas baias é mais eficiente na indução do estro. Com o emprego da inseminação artificial (IA), passou a ser necessário um plantel específico de machos para estimular o estro em leitoas e porcas. Trabalha-se com 0,5 a 1% de machos em relação ao total de matrizes. Nesse cálculo devemos levar em consideração que somente 30 a 40% das leitoas devem ser estimuladas, pois as mesmas não precisam ser manejadas durante o metaestro e o diestro. As leitoas que já ciclaram deverão estar alojadas em baias sincronizadas por estro. Para manutenção da libido dos cachaços recomenda-se uma monta/coleta semanal.

O contato do macho com as fêmeas deve ser íntimo (naso-nasal), pois os feromônios provém da saliva dos machos. Esse contato naso-nasal jamais deverá ser feito com o macho no lado de fora das baias de preparação ou com o macho na baia ao lado da baia das leitoas. Após a entrada do cachaço na baia, deve-se proceder à pressão lombar em todas as fêmeas da baia, sendo possível, então, observar o reflexo de tolerância ao macho (RTM), mudanças comportamentais, edema e hiperemia de vulva (sinais de proestro e estro). No mínimo quinze dias antes do cio de cobertura, as leitoas devem ser transferidas para gaiolas, onde será fornecida ração à vontade (flushing) e para que, além disso, adaptem-se ao novo ambiente.

A estimativa de eficiência do manejo de indução ao estro em leitoas é de que após 40-50 dias de granja, somente 5 a 7% das leitoas ainda estejam em anestro. Os animais que não apresentaram cio até este período poderão ser induzidos ao estro através da utilização de hormônios.

 

3.2 - Porcas

Porcas desmamadas devem entrar em cio o mais rápido possível após o desmame, diminuindo assim os DNPs da granja. Essas fêmeas são alojadas no “centro erótico” ou em baias após o desmame e alimentadas à vontade (flushing). O manejo de indução ao estro deve ser realizado da mesma forma que é realizado com as leitoas, tanto em baias quanto em gaiolas.

Outra forma de manejar as fêmeas após o desmame é através do uso de uma área próxima ao alojamento dos machos, onde elas são conduzidas diariamente para o diagnóstico de cio (detection-mating area). Knox et al. (2004) compararam o uso desta forma de manejo entre fêmeas desmamadas alojadas em gaiolas longe dos machos e fêmeas desmamadas alojadas em baias próximas aos machos. Os resultados mostraram que fêmeas desmamadas alojadas longe dos machos (tanto em gaiolas quanto em baias) apresentam menor IDE e maior porcentagem de fêmeas em estro 7 dias após o desmame. Patterson et al. (2006) citam a utilização deste manejo durante a indução a puberdade de leitoas.

 

3.2.1 - Anestro lactacional

Na fêmea suína ocorre anestro fisiológico durante a lactação. O anestro lactacional permite uma recuperação do sistema reprodutivo e o retorno do funcionamento dos vários processos hormonais envolvidos na reprodução (Dallanora et al., 2004a).

Segundo Dallanora et al. (2004a), o controle neuroendócrino que leva ao anestro lactacional em suínos funciona da seguinte maneira: o estímulo da mamada e a presença física dos leitões levam à liberação dos peptídeos opióides endógenos (POE) que inibem, de forma pronunciada, a liberação de LH e, de forma menos consistente, o FSH. Segundo Quesnel & Prunier (1995) esta inibição da liberação de LH relacionada aos reflexos neuroendócrinos tem maior importância no início da lactação (3 a 14 dias). Durante a 3ª e 4ª semana pós-parto, quando a produção de leite é máxima e o estímulo de mamada diminui, o estado catabólico da fêmea se torna mais pronunciado e tem influência na diminuição da secreção de LH.

Ocasionalmente uma fêmea poderá apresentar sintomatologia de estro durante a lactação. Em um experimento com aleitamento interrompido, Kuller et al. (2004) detectaram que 22% das fêmeas submetidas a este manejo apresentaram cio durante a lactação. Diversos estudos demonstram este retorno ao estro durante a lactação através do aleitamento interrompido (Gerritsen et al., 2008; Kuller et al., 2004; Langendijk et al., 2007; Langendijk et al., 2008). Esse manejo pode antecipar o retorno ao estro pós-parto, porém Gerritsen et al. (2008) constataram que porcas que ciclaram durante a lactação através de mamadas parceladas possuem um menor nível de progesterona pós-ovulação.

 

3.2.2 - Intervalo desmame-estro (IDE)

O intervalo desmame-estro (IDE) tem uma duração média de 5 a 7 dias (Dallanora et al. 2004a). Kummer et al. (2003) verificaram um IDE de 4,9 dias em fêmeas com lactação média de 18,3 dias. Segundo o mesmo autor, há uma correlação negativa entre ordem de parto e IDE. Recentemente, Poleze et al. (2006) avaliaram 15.600 coberturas em uma granja brasileira e encontram 4,8 dias de média de IDE.

Existe uma variação no IDE, de acordo com a variação hormonal de cada fêmea. Alguns trabalhos compararam as diferenças no padrão de liberação hormonal entre fêmeas que manifestaram estro em diferentes períodos após o desmame ou permaneceram em anestro. Para o recrutamento e seleção dos folículos, ou seja, para o retorno a ciclicidade após o desmame, é necessário o reinício da liberação pulsátil das gonadotrofinas. A secreção de LH passa do padrão pulsátil com baixa freqüência/alta amplitude para um padrão de alta freqüência/baixa amplitude. Nas fêmeas que estabelecem esse padrão logo após o desmame o IDE é curto; porém, nas fêmeas onde não existe esta alteração de LH, ocorre um prolongamento do período para a retomada da ciclicidade (Shaw & Foxcroft apud Dallanora et al., 2004a).

Fêmeas que apresentam cio tardio pós-desmame e que não ciclaram na maternidade podem ter sofrido demasiado estado catabólico. Muitos estudos têm mostrado que um estado catabólico exagerado no animal por restrição alimentar resulta em uma direta supressão na liberação de LH pela hipófise, provavelmente causada pela diminuição da liberação de GnRH em porcas lactantes (Cosgrove & Foxcroft, 1996). Este efeito do catabolismo é mais observado em porcas de ordem de parto 1 (OP1).

 

3.2.3 - Desmame parcial e aleitamento interrompido

O desmame parcial e o aleitamento interrompido são técnicas que podem levar a uma redução do IDE. Segundo Kuller et al. (2004), fêmeas submetidas ao aleitamento interrompido diminuíram o intervalo desmame-ovulação de 5,3±0,2 dias no grupo controle para 4,7±0,2 dias (p < 0,05). Porém, cabe salientar que neste mesmo trabalho a ovulação durante a lactação foi induzida através do aleitamento interrompido em 22% das fêmeas, sendo que para o cálculo de intervalo desmame-ovulação essas fêmeas foram excluídas.

Gerritsen et al. (2008b) estudaram a sobrevivência embrionária de fêmeas cobertas após o estro induzido por aleitamento interrompido. Não foi encontrada diferença estatística para taxa de prenhez e sobrevivência embrionária (determinadas através de abate das fêmeas, 23 dias após a ovulação); porém, numericamente, houve diferença. Fêmeas em que os leitões foram separados por 12h diárias tiveram, respectivamente, taxa de parto e sobrevivência embrionária de 75% e 57%. Fêmeas em que os leitões foram separados por 12h diárias divididas em duas vezes tiveram 78% e 51%. As fêmeas-controle tiveram os seguintes resultados: 94% e 70%. Cabe salientar que nas fêmeas cobertas após o estro induzido por aleitamento interrompido os leitões permaneceram com as mesmas até 23 dias após a ovulação.

Além do aleitamento interrompido, o desmame parcelado pode interferir no retorno à ciclicidade. Borchardt Neto (1995) estudou o efeito do desmame parcelado em relação ao intervalo desmame-estro. Neste estudo, as fêmeas foram desmamadas com cerca de 23 dias de lactação e três dias antes do desmame permaneciam nas fêmeas somente três leitões, sendo que os leitões considerados visualmente mais pesados eram desmamados. Em todas as épocas do ano (verão e inverno) e em todas as ordens de parto, houve redução do IDE quando foi realizado desmame parcial.

Destes dois manejos, o desmame parcelado parece ser mais vantajoso devido à sua praticidade e ao alto número de fêmeas em estro lactacional no aleitamento interrompido.

 

4 HORMONIOTERAPIA EMPREGADA NA INDUÇÃO DO CICLO ESTRAL

Dentro de um plantel, sempre existirão fêmeas que não apresentarão o estro dentro de um período esperado. Isso pode decorrer por motivos relacionados ao manejo ou as condições fisiológicas destas. Assim, podem-se destacar as leitoas de reposição, que mesmo sendo manejadas de forma correta com o cachaço, não manifestam o primeiro estro. Da mesma forma, fêmeas desmamadas, que depois de 7 a 10 dias, não apresentam ciclicidade. De forma estratégica, sabe-se que a hormoniterapia pode ser utilizada nesses casos.

Na indução do estro, os hormônios mais utilizados são as gonadotrofinas com suas combinações, gonadotrofina coriônica eqüina (eCG) e gonadotrofina coriônica humana (hCG). Essas combinações hormonais foram desenvolvidas por atuarem, sempre, em ovários sem a presença de corpos funcionais (Wentz et al., 2007).

A administração de gonadotrofinas exógenas há muito se sabe, pode resultar em ovulação e essa ferramenta tem sido bastante utilizada, principalmente, no aparecimento (na indução) do primeiro estro em leitoas. Nos suínos, o eCG é usado com função de FSH e LH, via ação direta nos ovários, estimulando o crescimento folicular, ovulação e estro em leitoas, assim como provocando o reinício da atividade ovariana após o desmame (Mellagi et al., 2006b). Por sua vez, o hCG tem função semelhante à do LH, isto é, induz a ovulação, atua na luteinização das células da granulosa, mantém a vida funcional do corpo lúteo e aumenta a secreção de progestágenos das células luteinizadas (Hafez, 1995).

O emprego de gonadotrofinas na indução e sincronização da ovulação em matrizes suínas, com o objetivo de dirigir uma inseminação artificial (IA) para um momento pré-determinado, caracteriza-se em uma atividade facilitadora do manejo reprodutivo. Os benefícios de seu uso associam-se ao aproveitamento mais rápido da vida reprodutiva da fêmea, além de controlar a idade das fêmeas destinadas à reposição. Como provocam a entrada em estro de forma sincronizada, facilitam, não só as incorporações mais direcionadas, homogêneas e ordenadas das fêmeas, mas também o manejo da inseminação artificial (Wentz et al., 2007).

 

4.1 - Uso em leitoas:

4.1.1 – Indução do estro puberal:

Como mencionado anteriormente, o uso de hormônios exógenos possibilita a manifestação do estro púbere e uma melhor sincronização do ciclo estral (Amaral Filha et al., 2006a). Schilling e Cerne (1972) relataram que a combinação eCG + hCG seria capaz de induzir o estro em leitoas pré-púberes. Esses pesquisadores obtiveram taxas aceitáveis de parto e tamanho de leitegada, além de manutenção da ciclicidade em mais de 90% das leitoas induzidas hormonalmente. Segundo Wentz et al. (1992), a combinação de eCG + hCG (400 UI e 200 UI, respectivamente) acarretou uma ação efetiva na manifestação do primeiro estro em leitoas pré-púberes e, ainda, um alto percentual dessas fêmeas mantiveram sua ciclicidade, porém não superaram o percentual de ciclicidade das fêmeas com estro espontâneo (Tabela 1). Outro fator a ser considerado é o desempenho reprodutivo das leitoas com primeiro estro induzido. Paterson (1982) observou que o desempenho reprodutivo é comprometido no primeiro estro induzido hormonalmente. Ainda, Holtz et al. (1999) observaram que o grupo de fêmeas inseminadas no primeiro estro induzido (eCG + hCG) apresentou maior taxa de retorno (35%) se comparadas àquelas cobertas no segundo estro após a indução (12%) e, concluíram que pode haver falha no desenvolvimento funcional dos corpos lúteos de algumas nulíparas. O que de certo ponto seria lógico, pois mesmo leitoas com estro espontâneo submetidas a uma IA no primeiro estro puberal também apresentam comprometimento no desempenho reprodutivo (Kummer et al., 2006).

Lembra-se que a utilização de hormônios não substitui, nem dispensa, o correto manejo com o macho. Em termos práticos, nas condições atuais, o uso de hormonioterapia na antecipação da puberdade de todo o plantel de leitoas não é aconselhável, visto que representa custos desnecessários, pois o “efeito macho” induz a um alto percentual de leitoas em estro dentro de 20 a 30 dias (Mellagi et al., 2006b). Segundo Amaral Filha et al. (2006b), observou-se que mais de 80% das leitoas manifestaram estro em até 30 dias após o início do manejo com o macho, quando computadas somente aquelas com mais de 150 dias de idade.

 

 

4.1.2 – Utilização em leitoas em anestro:

Com o manejo de indução à puberdade corretamente realizado, ao final de 30 a 40 dias de estimulação com o macho (185 a 195 dias de idade), sobram de 5 a 10% de leitoas em anestro (Wentz et. al., 2007). Assim, com o intuito de fechar o número necessário de leitoas no grupo de cobertura, pode-se empregar a hormonioterapia (eCG + hCG). Diehl et al. (2003) ao aplicarem a combinação hormonal em fêmeas em anestro com idade superior a 190 dias observaram, que em um período de até 5 dias após a aplicação, 67,9% das fêmeas induzidas entraram em estro contra somente 6,6% no grupo controle.

As leitoas com atraso na manifestação do estro, consideradas em anestro, receberiam o tratamento hormonal ao redor dos 190 dias de idade e, dentro de três a seis dias após a aplicação, um alto percentual destas manifestaria o estro. Logo, a manifestação do estro induzido dessas leitoas estaria praticamente sincronizado com o segundo estro puberal das suas contemporâneas. Conseqüentemente, o segundo estro das fêmeas induzidas estaria de acordo com o terceiro estro das cíclicas e, dessa forma seria respeitado o período de adaptação sanitária assim como as exigências para definir o momento da cobertura de ambos os grupos (Mellagi et al., 2006b).

 

4.2 – Uso em primíparas:

Essa classe de fêmeas apresenta fatores de riscos para o desempenho de uma granja comercial, estes estão, principalmente, ligados à composição corporal da fêmea que afeta o retorno ao estro e o desempenho ao segundo parto. Sabe-se que o IDE é, classicamente, mais prolongado nas primíparas. Assim, segundo Kemp et al. (2004), essas fêmeas são boas candidatas a serem tratadas com hormônios estimuladores de estro. As gonadotrofinas têm sido usadas para diminuir o IDE e reduzir a freqüência de anestro pós-desmame, particularmente, em fêmeas predispostas a um longo IDE (Bates et al., 1991).

Vargas et al. (2006) investigaram o efeito da aplicação de eCG + hCG (24 horas após o desmame) sobre o IDE, a duração do estro, o momento da ovulação, a taxa de parto, o tamanho da leitegada subseqüente e a taxa de descarte até o terceiro parto após o tratamento. Assim, foram comparadas 420 primíparas que receberam o tratamento com eCG + hCG com primíparas (408) que receberam tratamento com solução salina. Os resultados obtidos são apresentados na tabela 2.

 

 

Os resultados demonstraram que com a aplicação de eCG/hCG foi observado um aumento do percentual de fêmeas em estro até 10 dias, redução do IDE, aumento na duração do estro e aumento no número de leitões nascidos vivos no parto subseqüente. No entanto, o momento da ovulação, a taxa de retorno ao estro, a taxa de parto não variaram entre os tratamentos. Além desses fatores descritos, a taxa de descarte até o terceiro parto foi semelhante (p=0,477) entre os tratamentos 1 e 2 (26,7% e 24,5%, respectivamente), assim demonstrando que o uso de gonadotrofinas não influencia na longevidade da fêmea.

 

4.3 – Uso em fêmeas atrasadas:

Segundo Wentz et al. (2007), espera-se que mais de 90% das fêmeas desmamadas apresentem estro em até sete dias pós desmame. As matrizes que falham ao retornarem ao estro após o desmame comprometem a performance reprodutiva e aumentam os DNPs (Breen et al., 2006). A razão para a redução na performance dessas fêmeas atrasadas não é clara, mas deve estar ligada ao intervalo entre a ovulação e a cobertura, já que essa categoria de fêmeas possuem uma maior probabilidade de terem uma ovulação mais precoce. Ainda, quando se associa esse fato a somente uma detecção de estro por dia, há chance de que as fêmeas já tenham ovulado quando detectadas em estro Kirkwood (2008).

Aquelas fêmeas que não apresentarem estro em até nove dias podem ser induzidas através da associação de eCG/hCG. O uso dessa combinação tem vantagens pelo fato das fêmeas apresentarem uma boa resposta, com estro fértil, comparadas àquelas com estro espontâneo (Wentz et al., 2007).

Ao encontrar fêmeas em anestro após o desmame, deve-se ter certeza de que não existam falhas no processo de detecção de estro e de que as fêmeas estejam mesmo em anestro e não na fase progesterônica do ciclo estral. Wentz et al. (1995) verificaram, através da dosagem de progesterona, que de um total de 91 fêmeas analisadas e consideradas em anestro pós-lactacional, 28,17% foram consideradas cíclicas. Aplicações hormonais na fase progesterônica do ciclo apresentam resultados insatisfatórios (Dallanora et al., 2004b). Além das falhas relativas a não detecção de estro, deve-se levar em consideração as fêmeas que podem manifestar estro na maternidade. Estas são cíclicas, mas, provavelmente, serão consideradas em anestro e submetidas ao tratamento hormonal.

Wentz et al. (1986) verificaram que 81% das fêmeas tratadas com eCG/hCG apresentaram um pronto retorno ao estro em um período de 10 dias, enquanto as fêmeas não tratadas apresentaram uma taxa de 35% no mesmo período. O intervalo aplicação-estro das tratadas hormonalmente foi, na média, de 4,2 dias e o do grupo não tratado foi de 9,0 dias. Kirkwood (2008) ressalta que a resposta obtida na administração de hormônios, nesses casos, irá depender de um diagnóstico efetivo das fêmeas em anestro pós-desmame e da profundidade desse anestro, logo da habilidade dos ovários para responder a estimulação das gonadotrofinas.

 

5 HORMONIOTERAPIA EMPREGADA NA SINCRONIZAÇÃO DO CICLO ESTRAL

 

5.1 – Emprego da PGF2 alfa na sincronização do ciclo estral

Sabe-se que na espécie suína somente a partir do 12o dia do ciclo estral o corpo lúteo (CL) torna-se sensível ao efeito luteolítico da PGF2 alfa (Diehl & Day, 1974; Guthrie & Polge, 1976). A causa dessa ação refratária do CL à PGF2 alfa no suíno ainda não está bem esclarecida, especula-se que seja conseqüência de uma deficiência de receptores luteais para PGF2 alfa durante os primeiros 12 dias do ciclo estral (Gadsby et al., 1990; Gadsdy et al.; 1993). Segundo Gadsby (1990), a partir do 13º dia depois do estro há um aumento significativo da afinidade dos receptores luteais para PGF2 alfa, assim causando a luteólise e a conseqüente diminuição da concentração de progesterona.

Segundo Britt et al. (1999), é possível induzir luteólise e abortamento em fêmeas com mais de duas semanas de gestação e o retorno ao estro ocorrerá em 4-5 dias após o abortamento. Coffey (1997) sugere que as coberturas sejam realizadas durante 3 semanas consecutivas até completar o número de fêmeas desejado. Duas semanas após o término das coberturas do último grupo (última semana), segue-se a aplicação de PGF2 alfa. No momento da aplicação do luteolítico, as fêmeas estarão com 14 e, no máximo, 35 dias de gestação. Diehl & Day (1974) relatam que, embora com diferentes períodos de gestação, o abortamento ocorre entre 30 a 45 horas após a aplicação de PGF2 alfa. Esse manejo pode ser melhorado com o uso de gonadotrofinas exógenas em combinação com a PGF2 alfa (Amaral Filha et al., 2006a). Martin et al. (1989) verificaram que leitoas tratadas com uma ou duas doses de eCG/hCG, logo após a indução do abortamento (aplicação de duas doses de PGF2 alfa), obtiveram melhor sincronização do ciclo estral quando comparadas com as fêmeas que foram somente submetidas ao abortamento com PGF2 alfa.

No entanto, apesar desse tratamento obter um pronto suprimento de leitoas que podem ser sincronizadas em estro de um modo controlado, o uso desse protocolo de sincronização do ciclo estral pode aumentar os dias não produtivos (DNP) do plantel e, ainda, aumentar a idade do primeiro parto, já que, as leitoas serão cobertas em diferentes ciclos. Além disso, o grupo tratado será composto por leitoas com pequeno ou longo período de gestação, o qual será interrompido. Logo, por questões éticas e de bem estar animal, esse manejo não é indicado (Amaral Filha et al., 2006a)

 

5.2 – Emprego de Altrenogest na sincronização do ciclo estral

A progesterona (produzida pelo CL) inibe a maturação folicular e, conseqüentemente, o surgimento do estro. Os níveis de progesterona reduzem após a regressão do CL, ocorrendo dessa forma o recrutamento e desenvolvimento folicular, culminando com a manifestação de estro, geralmente, em torno de 4-7 dias após a luteólise. Quando comparada com outras espécies, os suínos requerem níveis de progesterona bastante elevados para suprimir o crescimento folicular (Amaral Filha et al., 2006a).

 

5.2.1 – Formação de lotes sincronizados de leitoas:

Uma das formas para a sincronização do ciclo estral em leitoas é o uso de progestágenos exógenos. Esses hormônios mimetizam a função da progesterona e, enquanto fornecidos, impedem a manifestação do estro. A técnica usada é a administração oral de análogos sintéticos de progesterona (19-nortestosterona ou 17-allyl-trenbolone) (Amaral Filha et al., 2006a).

Em leitoas aleatoriamente cíclicas, o fornecimento de um progestágeno oral ativo, durante 14-18 dias, resulta em efetiva sincronização do ciclo estral. A manifestação dos sintomas do estro ocorre de 5 a 7 dias, em média, depois do último dia de alimentação com o progestágeno (93% das fêmeas entrando em estro nesse período) (Martinat-Botté et al., 1995).

Sabe-se que a racionalização do emprego dos progestágenos pode ser alcançada quando a data de entrada em estro individual das fêmeas já é conhecida antecipadamente. Logo, a primeira dose do progestágeno seria administrada quando os altos níveis plasmáticos de progesterona começassem a baixar. Evita-se, dessa forma, gastos desnecessários do produto, já que os níveis de progesterona permanecem altos até o 14º dia do ciclo estral (Amaral Filha et al., 2006a). Os corpos lúteos começam a regredir pela ação da PGF2 alfa produzida pelo endométrio a partir do 14º-16º dia do ciclo e, conseqüentemente, o níveis de progesterona começam a diminuir (Diehl & Day, 1974; Guthrie & Polge, 1976). O início do tratamento pode variar entre o 12º e o 14º dia do ciclo estral. Porém, quando iniciado no 14º dia, tem-se o risco de ocorrer falhas no tratamento e levar a resultados insatisfatórios (Amaral Filha et al., 2006a). O uso do progestágeno exógeno é eficaz e não compromete o desempenho reprodutivo subseqüente. Segundo Kirkwood (2008), espera-se que 90 a 95% das leitoas que recebem esse tipo de tratamento manifestam estro entre 4 e 8 dias após a última dose. Muitos estudos vêm demonstrando que a taxa de ovulação aumenta em leitoas tratadas com altrenogest. Martinat-Botté et al. (1995) verificaram um aumento na taxa ovulatória (0,8 corpos lúteos a mais do que o controle), no entanto não houve diferença no número de fetos aos 48 dias de gestação entre os tratamentos como pode ser visto na tabela 3.

 

 

5.2.2 – Utilização em fêmeas com desmame precoce:

Fêmeas que sofreram desmame precoce (<9-10 dias de lactação) podem necessitar de um período de recuperação após a lactação. Assim, os progestágenos sintéticos podem atuar no aumento do intervalo entre o desmame e a cobertura dessas matrizes. Santos et al. (2004) utilizaram altrenogest durante 5-8 dias em pluríparas com lactação entre 9 e 10 dias. Esses autores verificaram que o IDE aumentou em 7,2 dias nas fêmeas tratadas com altrenogest propiciando, dessa forma, um maior tempo para recuperação do trato reprodutivo da matriz. No entanto, eles não encontraram diferenças no desempenho reprodutivo subseqüente entre as fêmeas tratadas e não tratadas.

Segundo Koutsotheodoros et al. (1998), uma redução da duração da lactação de 24 para 12 dias resulta em um aumento do IDE, assim como este se torna mais variável. Esses autores demonstraram que primíparas desmamadas precocemente (12 dias) e tratadas com altrenogest durante 12 dias obtiveram um aumento da taxa de ovulação e da sobrevivência embrionária. Isto, provavelmente, devido à mediação nutricional sobre o melhor desenvolvimento dos folículos pré-ovulatórios e, então, uma melhor maturação dos oócitos.

 

 

5.2.3 – Utilização em fêmeas que perderam escore corporal na lactação:

Freqüentemente, o IDE de fêmeas primíparas é mais prolongado. A razão para isso é que essa categoria possui um apetite menor, que resulta em um inadequado consumo de nutrientes durante a lactação e, por conseqüência, uma excessiva mobilização das reservas corporais e uma condição metabólica não ideal ao desmame. A fim de evitar esse problema, as primíparas podem necessitar de um período maior depois do desmame para recuperação do metabolismo (Kirkwood, 2008).

Segundo Clowes (1994), esse intervalo maior para recuperação da fêmea pode ser conseguido inseminando somente no segundo estro pós-desmame, proporcionando uma melhor taxa de parto e tamanho de leitegada subseqüente. No entanto, esse tipo de manejo resulta em um adicional de 21 DNPs que, se adicionados a 7 dias de IDE, ocasiona um intervalo desmame-cobertura de 28 dias (Kirkwood, 2008). Alternativamente, o altrenogest poderá ser usado na supressão do estro pós-desmame, assim são alcançados os mesmos benefícios proporcionados pelo efeito de inseminar no segundo estro pós-desmame (Morrow, 1989).

 

6 ASSOCIAÇÃO DA INDUÇÃO E SINCRONIZAÇÃO DE ESTRO COM PROTOCOLOS FIXOS DE IA

 

A adoção de um protocolo de inseminação em tempo fixo torna-se difícil, pois não é possível identificar o momento da ovulação, no intuito de realizar a IA no intervalo considerado ideal. Segundo Kemp e Soede (1996), fêmeas que foram cobertas menos de 24 horas antes da ovulação obtiveram, significativamente, maiores taxas de fertilização do que aquelas cobertas depois das 24 horas após a ovulação. Ainda, esses autores salientam que a ovulação ocorre depois de transcorridos entre 70 e 72% da duração do estro, independentemente, do tempo de duração deste, ou seja, a ovulação se dá no início do terço final do estro. Infelizmente, essa informação retrospectiva não auxilia na definição de um protocolo fixo de IA.

Entre fêmeas, há grande variabilidade no momento da ovulação como pode ser visto na tabela 5, onde se observa que o momento médio de ovulação nos diferentes trabalhos variou de 37 a 45 horas, no entanto a amplitude foi de 8 a 85 horas. Lembrando que esses intervalos são entre o início do estro e o diagnóstico da ovulação. Essa amplitude dificulta a adoção de um protocolo fixo de inseminação, porque existem fêmeas que ovulam mais cedo e outras mais tarde durante o estro, mesmo que a média esteja em torno de 40 a 42 horas após o início do estro (Borchardt Neto et al., 2005)

 

 

Muitos estudos foram realizados com o intuito de determinar quais as variáveis que poderiam melhor explicar essa variação observada e, por conseguinte, possibilitar a predição do momento da ovulação. Assim, pode-se associar o momento da ovulação com algumas variáveis, sendo estas: duração do estro, ordem de parto, IDE e período de lactação. Com exceção da duração do estro, as demais variáveis não conseguem explicar mais do que 20% da variação observada no momento da ovulação. Logo, não são bons indicadores do momento da ovulação e não devem ser utilizadas para a fixação de regras de manejo de IA. Apesar de existir, em muitas situações, uma boa associação entre o momento da ovulação e a duração do estro, a utilização dessa variável como ferramenta para predição da ovulação, infelizmente, não é possível. Isto pelo fato de que a ovulação ocorre durante o período estral e a duração do estro somente pode ser determinada, obviamente, após o seu final (Borchardt Neto et al., 2005).

Com essa dificuldade em definir o momento em que a ovulação ocorre de forma espontânea, foi tentado a aplicação de hormônios indutores do processo ovulatório. A utilização de gonadotrofinas para sincronização da ovulação é uma alternativa interessante, que permitiria o desenvolvimento de métodos intensivos de detecção de estro e o uso de tempos fixos seguros para a realização da IA. A administração exógena de GnRh (hormônio liberador de gonadotrofinas) ou pLH (hormônio luteinizante suíno) tem sido utilizada na sincronização da ovulação (Candini et al., 1999).

Candini et al. (1999) aplicaram 24 horas após o desmame 600 UI de eCG e 56 horas após fizeram uso de 5mg de pLH. A dose de eCG mostrou-se bastante efetiva para estimular o desenvolvimento folicular e iniciar o ciclo estral. Esses autores encontraram que as ovulações no grupo tratado (eCG + pLH) ocorreram entre 32 e 40 horas (37,25 ± 3,65h) após a aplicação de pLH, enquanto que no grupo controle as ovulações ocorreram entre 32 e 104 horas (63,67 ± 20,22h). Importante salientar que o tempo médio de ovulação após o uso de pLH mostrou um desvio padrão de apenas ± 3,65 horas. Através dessas informações pode-se dizer que a utilização de pLH é bastante efetiva na sincronização da ovulação, o que pode ser visualizado na tabela 6. Com o objetivo de determinar uma dose mínima e efetiva desse hormônio, Viana et al. (2005) testaram pLH nas doses de 2,5mg, 1,25mg e 0,650mg. Observaram que 2,5mg de pLH é eficaz para sincronizar a ovulação de forma eficaz.

 

 

Cassar et al. (2005) associaram o uso de eCG e pLH com o intuito de avaliar o momento da ovulação e o emprego de protocolos fixos de IA. Encontraram que todas as fêmeas tratadas ao desmame com eCG (600 UI) e com pLH (5mg, 80 horas após a aplicação de eCG ) ovularam em até 44 horas após o uso de pLH. Ressalta-se que, nesse primeiro experimento com 17 fêmeas, todas as induzidas ovularam em uma janela de 34 a 44 horas após a aplicação do pLH. Em um segundo experimento os autores avaliaram o desempenho reprodutivo após a aplicação de protocolos fixos de IA (tabela 7).

 

 

Ressalta-se da tabela 8, que nos tratamentos de 1 a 4, somente as fêmeas que apresentavam reflexo de tolerância ao macho (RTM) foram inseminadas. No entanto, as fêmeas do tratamento 5 foram inseminadas independentemente de sua condição. Os autores observaram que as taxas de prenhes e de parto foram maiores para as fêmeas dos tratamentos 4 (86,4 e 84,2%, respectivamente) e 5 (89,2 e 86,1%) em relação as fêmeas do grupo controle (72,3 e 68,7%). Os autores não encontraram diferença quanto ao tamanho da leitegada entre os tratamentos. Segundo Kirkwood (2008), quando o momento da ovulação é conhecido, a inseminação pode ser ajustada a fim de que as fêmeas recebam uma única dose de IA ou sejam inseminadas com um número reduzido de espermatozóides.

A administração de GnRH também pode ser usada com o intuito de provocar estro e ovulação em porcas e leitoas (Wentz et al., 2007). Segundo Baer e Bilkei (2004), a aplicação de GnRH em fêmeas desmamadas estimula uma alta secreção de gonadotrofinas. Esses autores avaliaram fêmeas inseminadas após a aplicação intravaginal de um agonista do GnRH (acetato de triptorelin) 96 horas depois do desmame. Um grupo de fêmeas foi inseminado imediatamente após a aplicação hormonal e independentemente do diagnóstico de estro (3 IA com intervalos de 24 horas). Um grupo foi inseminado da mesma forma, mas somente se as fêmeas apresentassem sinais de estro e outro grupo foi usado como controle (IA tradicional), os resultados podem ser vistos na tabela 8.

 

 

Taibl et al. (2007) analisaram o uso do acetato de triptorelin e verificaram que o mesmo é eficiente em sincronizar e adiantar a ovulação em fêmeas desmamadas quando aplicado, intravaginalmente, 96 horas após o desmame. Das fêmeas tratadas com GnRH, 78,2% ovularam em 48 horas após a aplicação, enquanto que somente 45,8% do grupo não tratado e 37,8% do grupo que recebeu um placebo ovularam no mesmo período. Dessa forma, pode-se dizer que essa aplicação hormonal pode ser útil na implantação de um protocolo de IA em tempo fixo. Webel (2008) utilizando-se do mesmo protocolo com GnRH (96h após o desmame) e IA em tempo fixo, encontrou índices reprodutivos como, taxa de parto e nascidos totais, bastante promissores.

 

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Conhecimentos básicos sobre a fisiologia do ciclo estral em suínos são fundamentais quando se visa à manipulação do mesmo. Técnicas de manejo para indução do estro em leitoas e porcas são bastante viáveis e comercialmente aplicáveis. Da mesma forma, o emprego da hormonioterapia na indução do estro também é uma ferramenta que pode ser empregada estrategicamente em ambas categorias. O emprego de fármacos na sincronização do ciclo estral na espécie suína fica quase que restrita a progestágenos. Técnicas promissoras para induzir a ovulação permitindo a inseminação artificial em tempo fixo tem sido desenvolvidas. Entretanto, ainda é necessário ajustar os parâmetros de produtividade e lucratividade no emprego dessa tecnologia.

 

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