Manejo

Publicado em 05.09.11 às 16:09 hs

Gerenciamento da produção em um novo cenário mundial de custo de alimento

Jose Henrique Piva

Product Performance Director - Pig Improvement Company

Hendersonville - TN

Jose.piva@pic.com

 

Rafael Kummer, PhD

Technical Services Manager - Pig Improvement Company

Carlyle – IL

Rafael.kummer@pic.com

 

Noel Williams, PhD e Casey Neill, MS

PIC Technical Services, Hendersonville, Tennessee

 

 

INTRODUÇÃO

A nível mundial os custos dos principais ingredientes usados na produção de rações tiveram aumentos significativos ao longo dos últimos 18 meses, demandando muito mais capital de giro para operar qualquer sistema de produção animal de forma intensiva.

Oferta e demanda associado a possíveis aspectos de ordem especulativa certamente foram os fatores que diretamente mais pesaram para esta nova realidade. A tabela abaixo demonstra o impacto da alta no preço dos insumos no custo de produção do leitão nos Estados Unidos.

Este novo cenário tem levado técnicos, indústria e produtores a fazerem mudanças, revisarem novos valores, identificarem novos alvos de produção, definirem novas prioridades, modificarem conceitos e desenvolverem novas estratégias e tecnologias para manter a competitividade do agronegócio.

Cada sistema de produção tem suas particularidades e muitas vezes as oportunidades e os desafios são muito diferentes, porem de uma forma generalizada os ganhos são feitos por um somatório de vários aspectos tanto na área reprodutiva como na área de crescimento e finalização.

Em termos macro o custo de produção e uma função direta do custo dos ingredientes, da eficiência do uso do alimento, do custo de processamento e entrega. Cada componente deve ser considerado na tentativa de diminuir o custo final de produção. Este artigo apresenta diferentes formas para melhorar a competitividade em todo o processo de produção de suínos, independente do custo dos ingredientes adquiridos.

 

1 – PESO DE MERCADO

Atualmente muitas empresas trabalham no sentido de comercializar os animais dentro de uma faixa de peso que maximize o lucro observando todas as variáveis da equação. O peso ideal de mercado para otimização dos lucros é uma função de diversos fatores incluindo o custo da alimentação, custo das instalações, transporte, linhas genéticas e disponibilidade de capital associado ao preço básico de mercado mais premiação. Diante de um cenário muito volátil tanto no preço do suíno como dos ingredientes usados na composição da dieta é essencial de forma freqüente reavaliar o peso ideal de mercado. Inclusive certas empresas bonificam produtores ou parceiros que entregam a maior parcela de animais dentro da faixa ótima de peso.

A curva de crescimento, a eficiência alimentar e as características da carcaça são fatores fundamentais para definir o peso ótimo de abate (Figura 1).

As figuras abaixo assumiu valores fixos no custo de produção e mostra que o peso ideal pode variar dependendo do sexo e a genética. Empresas genéticas e universidades tem trabalhado em conjunto e auxiliado produtores para montar este modelo.

 

 

 

 

2 – PRODUÇÃO DA RAÇÃO

A característica dos ingredientes pode modificar a utilização da ração, a logística de operação e o custo final de produção. Um destes processos é diminuir o tamanho das partículas dos ingredientes. Healy at al., 1994 relataram que uma dieta com 700 micras otimizaria a conversão alimentar e a eficiência da fabrica. Para as genéticas e as circunstancias atuais é relatado que para cada 100 micras abaixo de 700 se pode observar uma melhora na conversão alimentar em 1.3%.

Outro processo que melhora a eficiência alimentar é o uso de ração peletizada. Em diferentes estudos com 3 diferentes produtos, todos de alto valor genético, foi observado uma resposta positiva e similar em termos de conversão e ganho de peso frente ao uso de ração peletizada de boa qualidade se comparado a ração farelada. Em media os testes realizados mostraram uma melhora de 2% no ganho de peso e 7% na conversão alimentar. Porem, foi observada uma queda 1.3% no percentual de animais entregues ao frigorífico com preço maximo – principalmente devido a maior incidência de ulceras gástricas. Estes dados indicam que podemos ganhar entre R$ 1,5 a R$ 4,0 reais por animal entregue, dependendo do custo dos ingredientes e custo de produção da ração.

 

 

3 – DESPERDÍCIO DE RAÇÃO

Em uma operação de suínos existem diferentes fontes de desperdício de ração. Isto inclui ração perdida no piso, desenho e ajuste deficiente de comedouro e presença de roedores. Muitas vezes não e dada a importância necessária a estes fatores associados a fatores ambientais. Por exemplo, um rato adulto pode comer entre 25 a 30 gramas de ração por dia ou 9 kg por ano – isto equivale a aproximadamente a 3% da quantidade de ração necessária para fazer um suíno do nascimento ao mercado.

No mercado existem boas recomendações de como manejar os comedouros. Um site com boas recomendações pode ser achado no KSU Swine Website (www.asi.ksu.edu)

 

4 – SELEÇÃO GENÉTICA

Embora cada fêmea produza em media 50 animais para o abate durante a vida produtiva e um macho chega a produzir ate 8000 terminados devemos lembrar que ambos os pais tem um papel igual em cada suíno produzido. Sendo assim, é importante que seja observado fatores de eficiência alimentar tanto na seleção genética de machos quanto de fêmeas.

A conversão alimentar é uma característica genética com herdabilidade moderada e esta característica pode ser melhorada através de seleção para carne magra. Porem, existe uma preocupação frente à necessidade de se manter um balanço entre a seleção para carne magra e a manutenção de outras características reprodutivas e de qualidade de carne.

A medição do consumo diário individual e o comportamento alimentar dos machos auxilia no melhoramento animal. Um exemplo de comportamento alimentar que pode ser medido consiste no numero de vezes que o animal vai ao comedouro e quanto ele come cada vez. Certas pesquisas têm demonstrado que medindo estas características pode resultar em uma melhora de ate 40% em relação ao sistema convencional de melhoramento via seleção exclusiva por carne magra.

 

5 – CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO E PRODUÇÃO

Embora mais de 80% dos custos com alimentação aconteçam depois do desmame dos leitões é importante tomar em consideração o volume e o custo da ração usado para produzir cada leitão, contando inclusive com a alimentação da leitoa no período pré e pos puberdade.

A avaliação de desempenho de um produto ou sistema de produção através de uma única característica, em dado momento, pode não ser a forma mais adequada para avaliar a eficiência de uma granja ou sistema de produção. Exemplo: apenas medirmos o numero de leitões nascidos totais por parto sem levarmos em consideração a quantidade de ração usada para produzir este leitão. Uma maneira mais eficiente de medir a eficiência alimentar seria através da quantidade de ração necessária por fêmea para desmamar um leitão. No ano 2000, em torno de 50 kg de ração eram necessários por fêmea para desmamar um leitão de 5 kg. Atualmente, nos Estados Unidos e Canadá, este valor e inferior a 40 kg considerando um leitão desmamado com um peso médio a 6 kg. Esta quantidade incluiu a ração das leitoas depois dos 170 dias de idade e das matrizes não produtivas presentes na granja. Atualmente não e utilizada ração para leitões durante a fase de maternidade em granjas norte americanas.

A identificação de matrizes vazias no primeiro terço de gestação representa para muitas granjas um ganho na produtividade e eficiência de produção. Os dias não produtivos representam para certas granjas uma oportunidade a ser trabalhada.

 

6 – CRITÉRIOS DE DESCARTE DE MATRIZES

E importante que produtores tenham um controle na retenção de fêmeas para que no mínimo 70% das leitoas entradas na granja atinjam o terceiro parto. A não retenção de fêmeas jovens resulta em aumento na taxa de reposição e diminuição dos índices produtivos. Alem disso a disciplina na política de descarte diferenciada por paridade associado a um controle das matrizes pouco ou não produtivas tem um papel forte na eficiência alimentar. Muitas vezes produtores são penalizados pelo descarte de fêmeas leves, tornando ainda mais importante a retenção de fêmeas jovens.

 

7 – MELHORA DO STATUS SANITÁRIO DA POPULAÇÃO

Diante dos novos desafios sanitários, o processo de melhora na sanidade tem sido uma estratégia cada vez mais importante em muitos produtores, visando controlar enfermidades que impactam diretamente a eficiência de produção e o percentual de animais entregues no frigorífico com preço total.

Estratégias como depopulação e repopulação de granjas com animais de melhor status sanitário, programa de fechamento temporário de introdução de animais para reposição, produção segregada para leitoas, produção em grupo/lote, fluxo único (mesma origem), medicação e vacinação estratégica tem sido praticas comum em sistemas de produção atual.

 

8 –MANEJO ALIMENTAR E DE MONITORAMENTO DE PESO DAS FÊMEAS

Segundo Boyd (dados não publicados) a alimentação duas vezes ao dia para fêmeas na área de cobertura e gestação tem respondido de forma positiva na manutenção da condição corporal das matrizes suínas com ate 4% a menos de ração gestação por dia.

Diferentes sistemas de automatização no fornecimento de ração durante a maternidade tem resultado em aumento de consumo de ração com redução de desperdícios.

O controle do peso a cobertura e ao parto das leitoas, na cobertura com 135 a 150 kg e ao parto com 170 a 185 kg representa uma economia de ate 0.15 kg de ração por dia para a manutenção corporal das fêmeas se comparadas com leitoas que foram cobertas e pariram com mais de 25 kg do recomendado.

 

9 – QUALIDADE DOS LEITÕES AO NASCER E NA DESMAMA

A tabela abaixo mostra o resultado de um experimento de campo realizado com o objetivo de avaliar o desempenho individual de leitões na maternidade conforme o peso ao nascimento.

O desempenho do leitão na terminação esta diretamente relacionado ao peso a desmama. Diante dos riscos maiores de um leitão de qualidade inferior ao desmame não chegar ao mercado final de abate com o peso desejado e com preço total, muitos produtores tem optado por eliminar estes leitões ao desmame ou mesmo leitões com baixo peso ao nascimento.

 

10 - ORÇAMENTO NO CONSUMO DE RAÇÃO POR FASE

A produção segregada em lotes com a mesma idade adotando o processo todo dentro todo fora tem facilitado o controle e manejo no uso de ração para cada fase, minimizando os riscos do uso de rações de maior custo após o período indicado pelo nutricionista.

 

OPORTUNIDADES E FATORES QUE PODEM ADQUIRIR IMPORTANCIA FRENTE A NOVA REALIDADE DE CUSTO DE ALIMENTACAO;

- Uso de 2 rações na gestação;

- Arraçoamento 2x por dia na gestação;

- Sistemas de arraçoamento no desmame;

- Arraçoamento durante gestação conforme peso da cobertura da leitoa;

- Uso de ingredientes alternativos.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante dos desafios e das oportunidades presentes; as novas tecnologias, embasadas na ciência, ajudarão a construir novos alicerces para a atividade, proporcionando competitividade suficiente para a mesma competir no mercado com outros tipos de carnes, seja pelo volume, pela qualidade ou pela eficiência de produção. Estas características certamente são a base para que a atividade siga crescendo a passos rápidos como outros produtos.

 

“SE HOJE BUSCARMOS ADMINISTRAR E MANEJAR NOSSAS GRANJAS COMO FAZIAMOS A 24 MESES ATRÁS, CERTAMENTE ESTAREMOS DEIXANDO GRANDES OPORTUNIDADES PARA TRÁS E ESTAMOS NA EMINÊNCIA DE NÃO SERMOS COMPETITIVOS FUTURAMENTE”

 

 

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