1- Parte do Trabalho de Conclusão de Curso do primeiro autor; 2- Mestrando em Zootecnia, Unesp-FCAV-Jaboticabal – aderbal@fcav.unesp.br ; 3- Professor do CCA-UFPB.
Palavras chave: consumidor, carne suína, industrializado, marketing.
INTRODUÇÃO
Vários estudiosos de comportamento e consumo, há tempos, buscam saber sobre os consumidores, quais seus desejos, necessidades, enfim, o que eles almejam. Na suinocultura, não é diferente. Com a crescente exigência do consumidor, no que diz respeito à sanidade, segurança alimentar, rastreabilidade e qualidade, associadas à necessidade de aumento do consumo, ações estratégicas estão sendo discutidas e praticadas na tentativa de beneficiar toda a cadeia (Cavalcante Neto, 2003).
Os produtos industrializados ocupam uma parcela cada vez maior do mercado de alimentos. Eles são bem práticos, pois já vêm prontos ou semiprontos. O único trabalho é abrir a embalagem, e mesmo as embalagens estão cada vez mais fáceis de serem abertas. Além da praticidade, os alimentos industrializados também possuem um prazo de validade bem maior do que os produtos “in natura”, tornando fácil o armazenamento. (Consumidor Brasil, 2001).
A carne suína favorece a elaboração de produtos, que podem ser classificados em frescais, defumados, curados e salgados. Os frescais são representados pelos fiambres, lingüiças, mortadelas, patês, presunto cozido e salsicha. Os defumados são o lombo, bacon, toucinho, paleta e pernil. Os produtos curados, por sua vez, são a copa, lombo tipo canadense, salame e presunto cru, enquanto que os salgados são as costelas, pés orelhas, rabo, toucinho, couro, língua, pele, tripa, ponta de peito e carne para charque (Ipardes, 2002).
Este trabalho tem como objetivo caracterizar e diagnosticar o perfil do consumidor e do mercado de industrializados da carne suína na microrregião de João Pessoa - PB, constituindo-se em uma contribuição para a cadeia produtiva de suínos e, principalmente, para as indústrias de transformação de carne, na tentativa de melhorar o consumo e aceitabilidade da carne suína no Estado da Paraíba.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi realizado na microrregião de João Pessoa-PB. As entrevistas foram iniciadas através de um questionário previamente elaborado, depois diferenciado e estruturado, para assim dar-se início à coleta de dados. Este teste permite ao entrevistador avaliar a eficiência do questionário e identificar as dificuldades de aplicação do mesmo nas entrevistas, sendo seus resultados utilizados exclusivamente para avaliar a eficiência do questionário e realizar alguns ajustes quando necessário.
O questionário continha 50 questões, o qual foi aplicado a uma amostra de 400 pessoas, garantindo, com essa amostragem, o nível de confiança de 95%, ou seja, a margem máxima de erro é de 5% (cinco pontos percentuais para mais ou para menos), de acordo com a fórmula, para um universo desconhecido, proposta por Sâmara & Barros (1997). Optou-se por entrevistas diretas com questões fechadas, sendo que o entrevistador fazia as perguntas e anotava as respostas.
Com o objetivo de garantir a representação da amostra, foi feito um planejamento de controle da aplicação dos questionários, no intuito de se ter uma distribuição heterogênea da população quanto aos parâmetros de estrato social, baseado no modelo de Mattar (1997), sexo e idade.
Os dados foram coletados nos meses de julho e agosto de 2003 e analisados, utilizando-se o programa Microsoft Excel.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A amostra constituiu-se de 60% mulheres e 40% homens, sendo que, destes, 84,6% fazem suas refeições em casa; 7,1% em restaurantes e 8,3% em outros lugares. Dentre eles, 74,2% consomem a carne suína “in natura” e/ou industrializada, e os demais (25,8%), não.
Os motivos ao não consumo tanto na forma “in natura” como na industrializada estão descritos a seguir: 25,9%, por questões de saúde; 18,8%, por ser “carregada”; 14,2% acham-na gordurosa; 11,7% não apreciam o seu sabor; 11,2% afirmam ter nojo; 6,1%, por restrição médica; 4,6% não apreciam o seu aroma; 1,5% são vegetarianos; o mesmo percentual (1,5%) alegou outros motivos e por questões ideológicas;1%, o preço; e o mesmo percentual (1%) não aprecia a sua textura e acham-na indigesta.
Entre os que disseram consumir a carne suína “in natura” e/ou industrializada (74,2%), 30,3% rejeitam-na na forma “in natura”, só consumindo a industrializada, representando um percentual de 50,8% da amostra total, que não a consomem na forma “in natura”. Em relação aos industrializados, as pessoas (74,2%), que disseram consumir a carne suína, não apresentaram nenhuma rejeição em relação aos mesmos. Segundo Ipardes (2002), cerca de 75% da carne suína comercializada no Brasil se dá sob forma de industrializados, produtos com elevado valor agregado e derivados de estratégias de diferenciação por parte da indústria processadora e frigoríficos.
No tocante aos industrializados da carne suína, os mesmos (62,8%) o compram planejado, enquanto 32,5%, por impulso, e 4,7% não souberam informar se planejam ou não. Verifica-se que a marca (28,5%) é o que mais influencia na hora de escolher e comprar um produto industrializado de carne suína; seguido pelo aspecto (26,8%); sabor (17,5%); o preço (11,4%) só aparece como sendo o quarto requisito apontado pelos compradores, que hoje sabem aliá-lo à qualidade do produto; logo depois vem a embalagem (9,2%); seguida das pessoas que não souberam informar (3,5%); e outros motivos com 2,2% dos votos.
Costumam obter seus produtos: no supermercado (78,8%); na feira (15,4%); diretamente do produtor (1,9%); e 1,5% não souberam informar onde obtém seus produtos. Em relação ao preço, disseram ser acessível (43%), caros (34%), alguns não souberam julgar (12%), acharam outras coisas (7%) e baratos (4%).
A lingüiça (16%) é o industrializado preferido dos entrevistados; em segundo lugar, vem o presunto com 14,7%; em terceiro na preferência do consumidor, está a salsicha (12,5%), depois mortadelas (12,1%), salame (10,7%), bacon (9,8%), apresuntados (7,7%), patês (5,9%), toucinho (5,2%), defumados e curados (3,6%), copa (1,6%) e outros (0,2%). E 26,4% dos entrevistados têm o hábito de consumi-lo diariamente; 20,9% raramente; 12,8% duas vezes na semana; 8,9% aos fins de semana; 7,2% em datas festivas; 6,8% três vezes na semana; 6,4% a cada quinze dias; 4,7% menos de uma vez por mês; e 3,0% uma vez ao mês. Mostrando-se bastante freqüente no almoço (26,5%); nos momentos de lazer, como em churrascos (21,2%); no lanche (17,6%); no café da manhã (16,5%); 1,3% não souberam responder em quais ocasiões os consomem; e 1,1% o degustam em outras ocasiões.
É fundamental que o Brasil se enquadre nos moldes ditados pelo mercado consumidor, que adote uma postura firme, com relação aos conceitos ditados pelos mesmos, forneça apoio tecnológico aos produtores, para que estes se enquadrem à demanda da cadeia produtiva e, por sua vez, forneça o que de fato os consumidores almejam.
CONCLUSÕES
A maioria dos entrevistados indicou apreciar os industrializados da carne suína, podendo a freqüência de consumo ser aumentada. Entretanto esclarecimentos devem ser feitos para comprovar sua qualidade, mostrando que não há restrições para o seu consumo.
Quanto ao diagnóstico dos consumidores, observou-se que a cadeia de carne suína necessita de mudanças, com ênfase na diferenciação dos produtos ofertados, não bastando um produto diferenciado se o consumidor não souber como melhor aproveitá-lo. Deve-se agir, para que se estabeleça a sua competitividade na microrregião estudada.
REFERÊNCIA
CAVALCANTE NETO, A. Caracterização, avaliação e estratégias de desmistificação dos consumidores e do mercado da carne suína e seus derivados no Estado da Paraíba. Trabalho de conclusão de curso (graduação em zootecnia) - Centro de Ciências Agrárias. UFPB, 66f. il. 2003.
CONSUMIDOR BRASIL. Alimentos, embalagens e rótulos. São Paulo, 2001. Disponível em: http://www.consumidor brasil.com.br/consumidorbrasil Acesso em: 20 nov. 2003.
MATTAR, F. N. Novo modelo de estratificação socioeconômica para marketing e pesquisa de marketing. In: SEMINÁRIO EM ADMINISTRAÇÃO, 2. São Paulo, 1997. Anais... São Paulo, Universidade de São Paulo, 1997, pp. 243-256.
SAMARA, B. S.; BARROS, C. J. Pesquisa de marketing. 3 ed. São Paulo: Makron Books, 1997, 220p.
IPARDES. Análise da competitividade da cadeia agroindustrial da carne suína no Estado do Paraná. Curitiba-PR: 2002. 54p.
fonte: Anais do II Congresso Latino Americano de Suinocultura





