Fernando Pandolfo Bortolozzo*, Aline Beatriz Heinen Prates Kummer,
Paulo Emilio Lesskiu e Ivo Wentz
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Veterinária, Departamento de Medicina Animal. Avenida Bento Gonçalves, 9090, CEP 91540-000, Porto Alegre-RS
*Autor para correspondência – email fpbortol@ufrgs.br
1. Introdução
A busca por reprodutoras suínas com maior produtividade tem selecionado matrizes de boa capacidade para produção de leite associada a uma alta exigência nutricional durante a lactação, entretanto, o consumo voluntário pelas fêmeas tem tornado-se o principal desafio em reduzir o catabolismo lactacional. Este catabolismo é decorrente de um balanço energético negativo em conseqüência da diferença da ingestão de nutrientes pela fêmea e das exigências nutricionais para mantença e produção de leite. Devido à alta demanda nutricional na lactação as necessidades energéticas podem estar comprometidas, principalmente quando fatores relevantes relacionados à fêmea, ao ambiente e/ou à dieta estão afetando o consumo voluntário (Mellagi et al. 2010). Dentre os principais fatores ambientais, a temperatura, a umidade relativa e a velocidade do ar apresentam efeitos diretos sobre o bem-estar, e conseqüentemente, sobre a produtividade (Sartor et al. 2003). Estes fatores afetam as principais formas de troca de energia da matriz lactante com o ambiente, que ocorrem na forma de calor sensível (condução, radiação, convecção) e calor latente (evaporação), quando estas fêmeas estão submetidas à temperaturas acima da zona de conforto térmico (Nääs, 1989; Baêta & Souza, 1997; Bridi, 2006).
Para amenizar os efeitos do estresse pelo calor, estimulando o consumo voluntário, é possível alojar as matrizes em ambientes climatizados. O uso de sistemas de arrefecimento comprova que, a melhoria do ambiente leva a um aumento no consumo de ração (Silva et al. 2009). Neste trabalho serão apresentadas diferentes estratégias para reduzir o catabolismo lactacional manejando a ambiência na maternidade, como alternativas disponíveis que visam o bem estar animal e melhoria da produtividade.
2. Caracterização do catabolismo lactacional na porca
O balanço energético lactacional é a diferença entre a ingestão de nutrientes pela fêmea e as exigências nutricionais para mantença e produção de leite (Quesnel & Prunier, 1995). Em primíparas é somado à exigência para o crescimento corporal e ainda a menor capacidade de ingestão voluntária de alimento. As necessidades de mantença irão depender do peso corporal e da temperatura ambiente. As necessidades energéticas para a produção de leite aumentam gradativamente durante as 3 primeiras semanas de lactação e são influenciadas pelo tamanho da leitegada (Quesnel & Prunier 1995). Com o aumento da produção de leite, o consumo alimentar não suporta a crescente demanda nutricional. Com isso, surge o balanço energético negativo, durante o qual as fêmeas lactantes mobilizam reservas corporais (catabolismo), permitindo que a produção de leite possa continuar com certa independência do fornecimento de nutrientes (Mellagi et al. 2010).
2.1 Exigências nutricionais
Os requerimentos nutricionais para produção de leite (energia, proteína, aminoácidos essenciais, minerais e vitaminas) são aumentados em até 3 vezes em comparação aos requerimentos para a fase gestacional (Close & Cole, 2001). Devido à alta demanda nutricional na lactação o consumo voluntário pode ser incapaz de suprir as necessidades energéticas (Mellagi et al. 2010). A energia requerida para a produção de leite representa 60-80% da necessidade nutricional diária, dependendo da ordem de parto e do tamanho da leitegada (Close & Cole, 2001).
Devido à mobilização intensa de tecidos (magro e adiposo), na tentativa de suprir as necessidades nutricionais, a mobilização do tecido magro é diretamente dependente das necessidades protéicas para a produção de leite e do consumo de proteína pela fêmea em lactação (Noblet et al. 1998). No entanto, uma moderada restrição protéica na dieta não altera a produção de leite. Em casos de restrição energética, porém com adequado suprimento protéico, a mobilização se dá principalmente no tecido adiposo. Em uma terceira hipótese, na qual a fêmea é submetida a uma restrição, tanto de proteínas quanto de energia, os dois tecidos, magro e adiposo, serão mobilizados (Noblet et al. 1998).
2.2 Por que ocorre o catabolismo lactacional e quais as suas conseqüências?
A grande demanda de glicose pela glândula mamária leva a uma baixa glicemia em porcas lactantes quando comparadas às fêmeas desmamadas (Quesnel, 2009). Em suínos, a privação alimentar resulta em rápida mobilização de ácidos graxos livres (AGL), pelo catabolismo de gordura, com a função de manter a glicemia (Barb et al. 2001). As fêmeas tornam-se resistentes à insulina no final da gestação (direcionamento da glicose para os fetos) e durante a lactação (direcionamento da glicose para o complexo mamário). Adicionalmente, como a insulina inibe a lipólise, a baixa concentração de insulina em fêmeas sob restrição alimentar pode também facilitar a mobilização de gordura (Quesnel, 2009).
As exigências para o tecido mamário são prioritárias na espécie suína em relação aos demais tecidos. A utilização das reservas corporais é vista como uma adaptação da fêmea para garantir a produção de leite, surgindo com isso o balanço energético negativo (Mellagi et al. 2010).
A restrição alimentar na lactação, com perda excessiva de peso, aumenta o intervalo desmame-estro (IDE) e o número de fêmeas em anestro (Einarsson & Rojkittikhun, 1993), sendo mais evidente em primíparas. Os efeitos negativos da restrição alimentar também podem ser observados na taxa de ovulação e sobrevivência embrionária (Quesnel, 2009).
A restrição protéica também prejudica o desenvolvimento folicular (Yang et al. 2000) e a manifestação de estro (Jones & Stahly, 1999). Porcas podem suportar uma perda de 9-12% da sua massa corporal na lactação sem prejuízo na função ovariana, mas altas perdas protéicas prejudicam o desenvolvimento folicular (Clowes et al. 2003). Entretanto, nem sempre o IDE é afetado pelo catabolismo lactacional. Vinsky (2006), usando um modelo de restrição alimentar na terceira semana de lactação (baseado em 50% do consumo voluntário do final da segunda semana), observou comprometimento da sobrevivência embrionária, mas não do IDE. O efeito prejudicial de um maior catabolismo lactacional no desenvolvimento folicular, qualidade de folículos, maturação de oócitos e sobrevivência embrionária implicam em menor tamanho da leitegada subseqüente.
2.3 Principais causas do catabolismo
O catabolismo lactacional é influenciado pelo consumo alimentar voluntário e diversos fatores durante a lactação podem influenciar o apetite da fêmea (“ver Mellagi et al. 2010”). Dentre estes fatores podem ser citados: os fatores inerentes à fêmea, ao ambiente e à dieta (quadro 1).
3. Conforto térmico e o estresse pelo calor
A temperatura, umidade relativa e velocidade do ar têm efeitos diretos sobre o bem-estar e conseqüentemente sobre a produção do animal (Sartor et al. 2003). A zona de conforto térmico (ZCT) corresponde à temperatura em que não há sensação de frio ou de calor e o desempenho é otimizado (Baêta & Souza, 1997). A temperatura da ZCT da fêmea lactante corresponde a 16 e 22°C (Black et al. 1993) e a do leitão neonato entre 32 e 34°C (Black et al. 1993). Essas diferenças na ZCT entre a porca e os leitões dificultam a otimização de um manejo de ambiência na maternidade.
O suíno apresenta dificuldade para dissipar calor em ambiente de alta temperatura e umidade, pois o excesso de umidade restringe as perdas evaporativas pela respiração. A elevação da UR de 45 para 90% a uma temperatura de 21°C é responsável pela redução das perdas de calor em até 8%. Em condições satisfatórias de temperatura, a umidade relativa entre 60 e 80% é a ideal para os suínos (Nienaber et al. 1987). Além disso, o suíno não conta com a sudorese como mecanismo de proteção as altas temperaturas (Dyce et al. 1997), utilizando exclusivamente, a ofegação e mudanças comportamentais (Le Dividich et al. 1998). O elevado metabolismo do suíno associado a altas temperaturas dificulta a dissipação do calor, estimada em 0,96 Watt/Kg (Mount, 1979).
3.1 Principais formas de troca de calor (dissipação) no suíno
A troca de energia do suíno com o ambiente ocorre na forma de calor sensível (condução, radiação, convecção) e calor latente (evaporação), e a eficiência é afetada, principalmente, pela temperatura, pela velocidade e pela umidade relativa do ar (Nääs, 1989; Baêta & Souza, 1997; Bridi, 2006). Segundo Sainbury (1972) em temperatura ambiente inferior a 25°C, as perdas de calor ocorreram da seguinte maneira: 15% por condução, 40% por radiação, 35% por convecção e somente 10% por evaporação. Nas temperaturas ambientais acima de 30ºC, predominam as perdas por processos evaporativos (Sorensen, 1964). Os principais mecanismos de troca de calor estão apresentados no quadro 2.
3.2 Como o estresse pelo calor afeta o consumo de alimento na lactação
O consumo alimentar e a produção de leite da fêmea são afetados quando a temperatura ambiente atinge o limite superior de conforto térmico da matriz, agravando-se à medida que privilegiamos o ambiente da sala para os leitões. Mullan et al. (1992) aumentaram a temperatura ambiente de 20 para 30ºC e o consumo diminuiu de 4,05 para 3,13 kg/dia e a produção de leite diminuiu de 8,88 para 7,53 kg/dia. Farmer et al. (2007) constataram que fêmeas mantidas por toda a lactação a 29ºC ingeriram menos ração do que fêmeas alojadas a 21ºC (3,8 vs 4,6 kg/dia) e ingeriram mais água (35,5 vs 16,4 L/dia). Segundo Black et al. (1993) para cada aumento de 1ºC na temperatura ambiente acima de 16ºC, o consumo energético e consumo alimentar diminuem em 0,57 Mcal e 0,17 kg por dia.
Quando em altas temperaturas, a fêmea lactante diminui o consumo alimentar e energético, reduzindo a produção de calor (Figura 1). Inicialmente ela mobiliza reservas e a produção de leite não é afetada. Entretanto, quando o nível máximo de mobilização é atingido, a fêmea não tem a outra opção a não ser reduzir a produção de leite, prejudicando, assim, o desenvolvimento da leitegada (Makkink & Schrama, 1998).
Para amenizar os efeitos do estresse pelo calor, estimulando o consumo voluntário de alimento, é possível alojar os animais em ambientes climatizados. O uso de sistemas de arrefecimento comprova que a melhoria do ambiente leva a um aumento no consumo de ração (Silva et al. 2009).
4. Estratégias tradicionais para minimizar o estresse pelo calor em fêmeas lactantes
As características das instalações podem minimizar os efeitos do estresse pelo calor em fêmeas lactantes (Figura 2). Uma construção economicamente viável requer edificações projetadas de forma que permitam o acondicionamento térmico natural, adotando medidas simples como: localização, orientação solar, pé direito, materiais de cobertura, arborização, sombreamento e ventilação natural, antes de serem adotados os mecanismos artificiais (Campos et al. 2002).
4.1 Aspectos construtivos
As edificações devem ser projetadas visando o maior aproveitamento da área, de modo a preservar recursos naturais disponíveis, como água e ventilação natural, e atender obrigatoriamente à legislação ambiental vigente (Oliveira et al. 2007). A orientação solar no eixo principal do prédio deve obrigatoriamente ser Leste-Oeste, reduzindo a carga calorífica incidida na instalação (Oliveira & Silva, 2006). Além disso, o local escolhido deve ser seco, ventilado e com boa drenagem do solo visando evitar infiltrações futuras (Oliveira & Silva, 2006). O afastamento entre as edificações deve ser igual a distancia de 5 vezes a altura máxima do obstáculo próximo ao prédio (Oliveira et al. 2007). Embrapa (2003) sugeriu que na existência de 3 ou mais pavilhões, o afastamento seja de 10 vezes a altura da instalação entre os dois primeiros pavilhões, sendo que da segunda instalação em diante deverá ser de 20 a 25 vezes esta altura. Desta maneira, esta recomendação demandará maior área para construção.
O pé direito da instalação favorece a ventilação e reduz a quantidade de energia radiante vinda da cobertura sobre os animais. Assim, quanto maior o pé direito da instalação, menor é a carga térmica recebida pelos animais. De uma maneira geral, o pé direito deve ter altura mínima de 3 metros, sofrendo variações de acordo com o tipo de telha utilizada.
Os materiais de cobertura devem possuir alta refletividade solar, baixa emissividade térmica e baixa absortividade de calor (Bridi, 2006). Dentre as opções disponíveis têm-se as telhas de barro, fibrocimento e telhas metálicas. Segundo Sevegnani et al. (1993) a telha de barro oferece maior conforto térmico. Entretanto, é um tipo de telhado que exige maior estrutura de sustentação, aumentando os custos de instalação. Em todos os tipos de telhado, a cor branca (exterior da telha) evita o aquecimento pela radiação solar, minimizando as transferências de calor para o interior da instalação (Silva, 1999). O uso do lanternim também permite a renovação do ar pelo processo de termossifão, favorecendo a ventilação interna das instalações (Oliveira & Silva, 2006). Outra alternativa é o uso de isolantes sobre as telhas (poliuretano) e sob as telhas (poliuretano, poliestireno extrusado ou lã de vidro).
O uso de forros aumenta a resistência térmica da cobertura, atuando como uma barreira física, permitindo a formação de uma camada de ar junto à cobertura, que contribui na redução da transferência de calor para o interior da instalação (Oliveira & Silva, 2006).
4.2 Aspectos ambientais naturais
O sombreamento produz um micro clima devido à projeção da sombra sobre o telhado controlando a radiação solar, a umidade relativa e a velocidade do vento. O emprego do sombreamento e do gramado permite reduzir a radiação solar (90% da radiação visível e 60% da infravermelha) e o calor refletido dentro das instalações (Bridi, 2006). Segundo Silva (1999), as árvores contribuem para a redução da temperatura, principalmente em regiões de clima quente e seco, com baixos índices de umidade relativa do ar. De acordo com Silva (1998) a temperatura interna e a carga térmica dos galpões arborizados foram 3ºC e 22 W/m2 menores do que galpões não arborizados. O posicionamento das árvores na face norte pode amenizar a incidência de luz solar dentro da instalação em algumas horas do dia, e ainda exercer ação moderadora sobre a velocidade dos ventos (Silva 1999).
Os ventos predominantes devem ser considerados, e o uso de barreiras naturais, como quebra ventos, podem ser utilizados. A intensidade e a direção dos ventos, nas diferentes épocas do ano, precisam ser conhecidas para orientar a instalação de modo a tirar vantagens no verão e protegê-la no inverno.
A água de bebida funciona como um mecanismo de refrigeração, aumentando em até 0,5°C a resistência ao calor (Nääs, 2000). Jeon et al. (2006) demonstraram os efeitos da temperatura da água na performance de matrizes e leitões lactentes em condições de estresse térmico ambiental (temperatura maior que 25ºC). Neste estudo os autores encontraram valores superiores para consumo de ração (5,36 vs 3,82 kg/dia), consumo de água (31,21 vs 28,06 l/dia), produção de leite (7,12 vs 5,83 kg/dia) e ganho de peso dos leitões (214 vs 187 g/dia), quando a temperatura de água de bebida das fêmeas foi 15ºC vs 22ºC, respectivamente.
5. Estratégias avançadas para minimizar o estresse pelo calor em porcas lactantes
Analisando temperaturas de distintas regiões do território nacional é possível evidenciar que as médias máximas estão acima da zona de conforto térmico (21ºC) em vários meses do ano. Deste modo, independente das características construtivas das instalações, o conforto térmico aos animais, em determinadas épocas do ano, pode não ser atendido. Com isso o uso de equipamentos, associado às características construtivas da granja, pode ser uma ferramenta para melhorar o conforto térmico dos animais (Nääs, 2000).
Na escolha do sistema de climatização, deve ser considerado a temperatura média anual, a umidade relativa do ar e o dimensionamento das instalações (atuais e futuros), além da combinação de variáveis termodinâmicas como chuva, luz, som, poluição, densidade animal e manejo (Silva et al. 1999). Dentro deste contexto, uma analise do custo beneficio dos investimentos, de modo a manter a liquidez do negócio, também é fundamental.
Os sistemas utilizados para prover maior conforto térmico baseiam-se em dois tipos principais: a ventilação forçada e o resfriamento adiabático evaporativo (Nääs, 1989). Dentre estes, podem ser citados diversos sistemas, como o uso de ventiladores ou nebulizadores (Nunes et al. 2003), mecanismos de evaporação adiabática (Tolon e Nääs, 2005), sistemas de gotejamento e ar refrigerado sobre a nuca das fêmeas (Mcglone et al. 1988) e ainda o uso de piso refrigerado (Silva et al. 2009).
5.1 Ventilação Forçada
É utilizada sempre que as condições naturais de ventilação não proporcionam adequada movimentação do ar ou redução da temperatura ambiente. Sendo responsável pela remoção da umidade, da dispersão dos gases e do excesso de calor (Silva, 1999).
Segundo Mendes (2005), a ventilação pode ser dividida em dois tipos: natural ou espontânea, dividindo-se em dinâmica ou térmica; e a ventilação artificial, sendo mecânica ou forçada. A ventilação forçada é obtida com o uso de ventiladores (ventilação positiva ou pressurização) ou exaustores (ventilação negativa ou exaustão) (Bridi, 2006).
Segundo Bridi (2006) nos sistemas de ventilação positiva os ventiladores forçam o ar externo para o interior da instalação, movimentando o ar interno para fora. Os ventiladores podem estar posicionados transversalmente ou longitudinalmente. Há sinergia da ventilação natural com os ventiladores, quando o posicionamento está a favor dos ventos predominantes.
Os sistemas de ventilação negativa forçam a saída do ar por meio de exaustores. O sistema gera uma diferença de pressão do ar do lado de dentro e do lado de fora e o ar sai por meio de aberturas, dispostas nas laterais ou extremidades do galpão. Os exaustores devem ser posicionados no lado oposto as aberturas (Bridi, 2006).
A exigência, em volume de ar, para fêmeas lactantes aumenta conforme a temperatura. De acordo com Marozzin (2005) estas exigências são de 34m3/h em clima frio, 136m3/h em clima ameno e 1100 m3/h em clima quente. Comercialmente dispõe-se de equipamentos capazes de movimentar 14.000 m3/h (ventiladores axiais) a 47.000 m3/h (exaustores). Perdomo et al. (1999) afirmaram que o dimensionamento do sistema de ventilação baseia-se no suprimento de oxigênio com redução de CO2 e melhoria das condições higrotérmicas da edificação, mediante redução ou incremento das trocas de calor por convecção e evaporação entre os animais e o ar.
Quanto à eficiência do sistema, Teixeira et al. (2004) encontraram resultados superiores em ganho de peso dos leitões em maternidade (1,62 vs 1,44 kg/semana), comparando ventilação forçada com ventilação natural. Segundo os autores, o consumo de água e ração não diferiu entre os tratamentos, entretanto as fêmeas em ventilação forçada apresentaram menores perdas de peso na segunda e terceira semana de lactação. Madeira et al. (2006) encontraram resultados superiores para consumo de ração na lactação (6,8 vs 5,60 kg/dia) com o uso de ventilação forçada comparada com sistemas de nebulização associadas à ventilação. Entretanto, não encontraram diferenças no ganho de peso da leitegada e perda de peso das matrizes. Teixeira et al. (2004) comparando o sistema de ventilação forçada ao sistema de resfriamento adiabático evaporativo (ar na nuca) encontraram resultados superiores em ganho de peso dos leitões e consumo de ração das fêmeas em favor do segundo sistema.
5.2 Resfriamento adiabático evaporativo
5.2.1 Resfriamento evaporativo por nebulização associada à ventilação
A aspersão de água junto com a ventilação forçada pode reduzir a temperatura do ar. O sistema de nebulização consiste em aumentar a superfície de uma gota d’água exposta ao ar, assegurando uma evaporação mais rápida (Bridi, 2006). O maior número de gotas com diâmetro pequeno (≤ 0,05 mm) garante maior eficiência evaporativa, sendo que o tamanho da partícula depende da pressão e tipos de bicos utilizados. O sistema deve permanecer em funcionamento enquanto a umidade não atingir 70 a 80% (Silva, 1999).
Por ação dos ventiladores ocorre a renovação do ar e a ventilação favorece a evaporação da água proveniente da nebulização. No processo evaporativo as superfícies se resfriam, pois a água requer calor para mudar do estado líquido para o gasoso. Cada grama evaporada retira 5900 calorias em forma de calor sensível. Nunes et al. (2003) descreveram que o sistema foi capaz de reduzir em 2ºC a temperatura do ar, nas horas mais quentes do dia.
Sartor (1997) comparando ventilação forçada e natural encontrou resultados superiores para ganho de peso dos leitões e consumo total de ração (25 dias de lactação) e menor freqüência cardíaca e respiratória. Entretanto, o uso de resfriamento evaporativo com passagem do ar por material poroso mostrou ser mais satisfatório, quando comparado com a ventilação associada à nebulização.
5.2.2 Resfriamento adiabático evaporativo com placas
O sistema consiste da passagem do ar pelos alvéolos da placa (ventilação mecânica), os quais úmidos evaporam adiabaticamente uma parcela desta água. O calor para a evaporação é retirado do ar, reduzindo-o a temperatura (Abreu et al. 1999).
A eficiência do sistema está relacionada diretamente com a temperatura e umidade relativa do ar. Quanto maior os valores da umidade relativa do ar, menor volume de água poderá ser inserido, afetando o resfriamento da temperatura (Campos et al. 2002). Ou seja, à medida que aumenta a umidade relativa do ar menor é a eficiência do sistema em reduzir a temperatura ambiente. Desta maneira pressupõe-se que estes sistemas sejam mais eficientes em regiões de clima quente e seco. Campos (2002) descreveu que o potencial de redução da temperatura do ar é de 11ºC, em algumas regiões do Brasil, sendo que a média é de 6ºC. Marozzin (2005) observou que em temperatura de 30ºC, o potencial de redução de temperatura foi de 2,8 a 10,6ºC, para 81 a 42% de umidade, respectivamente.
5.2.2.1 Resfriamento adiabático evaporativo associado à ventilação negativa (“pad cooling”)
Neste sistema as placas porosas evaporativas (carvão, celulose ou madeira) são posicionadas na extremidade do galpão ou da sala e os exaustores no lado oposto. Trata-se de uma ferramenta utilizada em nosso meio nas centrais de inseminação artificial e em avicultura de corte.
Morales (2010) comparando este sistema ao sistema adiabático evaporativo com ductos (ar na nuca) e ventilação natural observou que este sistema foi capaz de diminuir a temperatura da sala (23ºC, 26,8 e 26,8 ºC, respectivamente) e umidificar o ar (88,5%). O consumo de ração foi semelhante ao sistema de ar na nuca das fêmeas em duas das três repetições, embora sem efeito no peso de desmame. Especula-se que no sistema “pad cooling”, a baixa temperatura da sala nos primeiros dias de vida dos leitões possa ter prejudicado o desenvolvimento, uma vez que estavam desprovidos de escamoteador. Não foram observadas diferenças entre a perda de peso das matrizes no período lactacional, intervalo desmame estro, número de leitões desmamados e espessura de toucinho.
5.2.2.2 Resfriamento adiabático evaporativo associado a ductos (SRAED)
Este sistema tem sido utilizado em regiões de clima quente e seco, apresentando maior eficiência quanto menor for à umidade do ar externo. Morales (2010) observou que este sistema não promoveu a queda da temperatura da sala, entretanto baseado no consumo de ração das fêmeas especulou-se que o sistema tenha criado um microclima para a fêmea, pela estimulação de um grande número de receptores de frio, favorecendo o conforto animal.
Teixeira et al. (2004) comparando sistema de resfriamento evaporativo, ventilação forçada e natural, encontraram resultados superiores em ganhos de peso dos leitões (1,79, 1,62 e 1,44 kg/semana) e maior consumo de ração pela matriz durante a lactação (35,64, 29,59 e 26,66 kg/semana), respectivamente. Os autores observaram menor consumo de água semanal, e menores perdas de peso da matriz na terceira semana de lactação. Os resultados em ganho de peso dos leitões concordam com Nääs (2000). Em outra avaliação Tolon & Nääs (2005) verificaram que o SRAED foi capaz de diminuir a temperatura do ar e freqüência respiratória das fêmeas, mas não encontraram diferença no ganho de peso dos leitões quando comparados com ventilação forçada e natural.
6. Considerações Finais
O catabolismo lactacional é uma conseqüência do aprimoramento genético e tem gerado um grande impacto ao sistema de produção a curto e médio prazo. O direcionamento das ações para melhoria da ambiência como ferramenta de maximização do consumo alimentar e bem estar da matriz trazem benefícios. Contudo, existem diferentes equipamentos com resultados variados entre as granjas, devendo o potencial de eficiência de cada um ser analisado em função do investimento a ser realizado. Outro ponto importante é a capacitação da mão de obra no manejo com os animais e operação dos equipamentos, admitindo ser este um ponto de estrangulamento em todos os sistemas de produção.
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