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Publicado em 12.03.09 às 10:03 hs

Agronegócio brasileiro vai salvar o crescimento do país em 2009

A Agricultura e a Pecuária vão desempenhar um papel decisivo em 2009 para ajudar o Brasil a suportar um menor crescimento econômico no mundo, causado pela crise financeira detonada a partir dos Estados Unidos no ano passado. A conclusão surgiu durante o seminário “A crise internacional e o Brasil”, o terceiro evento do ciclo promovido para comemorar os 40 anos do curso de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e que debate as transformações estruturais da economia brasileira e mundial. A faculdade tem se destacado por formar mestres que alcançaram destaque nacional, como os ex-ministros Luiz Gonzaga Belluzzo e Maria da Conceição Tavares, o atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o ex-presidente do banco, Carlos Lessa, e o senador do Partido dos Trabalhadores (PT), Aloísio Mercadante. E reuniu em 2008 professores, ex-professores e alunos em atividades para discutir os caminhos de desenvolvimento para nosso país. Todos foram unânimes em destacar o setor rural como decisivo para atravessarmos o próximo ano ainda com crescimento, por causa da produção e da exportação. E também pinçaram outras duas ações que ajudarão o Brasil a enfrentar a turbulência: manter a estabilidade da economia e reconstituir o sistema de crédito.
“E a situação pode ficar ainda mais positiva com a decisão tomada pelo Banco Central de elevar de 65 para 70% o percentual dos depósitos de poupança rural, o que deve injetar 2,5 bilhões de reais na economia brasileira”, comemorou o senador governista.

O evento deixou claro que a crise financeira atual é a mais grave desde a quebra da Bolsa de Nova Iorque, no fim da década de 20. “Em 1929, a queda nas bolsas ficou em 41%. Pois agora, foi maior ainda, e emplacou 46%. Uma perda acumulada de janeiro a outubro de 2008 de 32 trilhões de dólares. E a ajuda dos bancos centrais de vários países passou dos 6 trilhões de dólares. São números grandiosos e que certamente resultarão num menor crescimento mundial. Mas o impacto maior vai ser sentido nos países ricos”, previu o senador Aloísio Mercadante. Ele faz a estimativa baseado nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), que aponta crescimento de 0,1% nos EUA, 0,2% na Europa, 0,5% no Japão e 6,1% nos países emergentes como o Brasil (o Fundo prevê um crescimento médio mundial em torno de 3%).

Durante o seminário, os debatedores afirmaram que podemos crescer até 4% em 2009 e alinharam os pontos positivos da economia nacional: reservas em dólar de mais de 200 bilhões, vulnerabilidade externa menor, comércio exterior mais diversificado, inflação dentro da meta, consumo interno maior, dívida do setor público controlada, sistema bancário estável, aumento do emprego e taxa de compulsório bancário alta (50%). “Já passa de 30 o número de países que procuram o Fundo Monetário Internacional (FMI) por insolvência. E os Bric´s terão um papel fundamental na retomada da economia mundial e, certamente, o Brasil pode ser o mais representativo. É que a Rússia está sofrendo um colapso atualmente com a desvalorização do Rublo e o problema do gás. A Índia tem duas batalhas para enfrentar: o sistema de castas e o inchaço do serviço público. E a China ainda é uma incógnita pois pode sofrer demais com a queda das exportações bem agora que há um crescimento gigantesco dos centros urbanos”, justificou Mercadante.

Os economistas reforçaram a gravidade desta crise mas, ao mesmo tempo, apontaram que ela pode significar a retomada de um novo paradigma social para os países ocidentais. “Não é uma tarefa fácil visualizar a gravidade deste momento. São muitas dúvidas que pairam no ar. Por exemplo, será que a China conseguirá se virar para seu mercado interno? A situação é muito delicada. Necessitamos de mudanças políticas radicais, os créditos precisam ser dirigidos para os setores essenciais das economias, é urgente repolitizarmos a economia porque a crise vai ser mais profunda do que se pensa”, alertou o professor Wilson Cano. “Faço questão de alertar para um ponto que considero fundamental; o modelo de vida americano, que é copiado em dezenas de países e que é o principal causador desta crise. O consumo deles, que já era alto, dobrou nos últimos 12 anos. A fartura de crédito e a invasão de produtos chineses foram insanas. Os salários aumentaram. E tudo resultou em quê? Consumismo sem sentido. É este o mundo que queremos para nós? Que valores pretendemos transmitir aos nossos filhos, em nosso país? Estamos destruindo o planeta e ainda achamos que faz sentido cada família chinesa ter 2 automóveis”, disparou o professor João Manuel Cardoso de Melo.

E ele reforçou que é justamente a emergência da China o segundo ponto que sobressai nesta crise, com a pujança de uma economia que exporta para todos os cantos do planeta e que deve tornar-se a mais importante até a metade deste século. “O mundo mudou e a correlação de forças entre os países também. É mais um motivo para que o Governo Federal aja rápido, principalmente para propiciar crédito a quem precisa. Temos que atacar nosso problema central que é o câmbio e reestruturar o sistema financeiro. Crescer, pensar grande, cuidar dos pobres. A saída para a crise é mais que Economia. Precisamos repensar o país. Nada melhor do que agora. Até porque tivemos essa notícia histórica do pré-sal (descoberta de grandes poços de petróleo na plataforma marítima brasileira). É necessário termos coragem”, exortou Cardoso de Melo.


fonte: Redação PorkWorld



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